CIDADES
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 20h:22
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TRABALHADORES
Grupo flagra 51 em condições desumanas
Fiscalização móvel constata péssimas condições de alojamento em uma fazenda na região de Juara; auditor se surpreende com as condições
O Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego encontrou 51 trabalhadores em condições desumanas em uma fazenda do município de Juara. A ação ocorreu entre os dias 19 e 20 de junho. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho, a fazenda autuada se chama Rio Mutuca e seu proprietário é de Araçatuba, interior de São Paulo. Ele não teve o nome revelado. Os trabalhadores estavam alojados em dois barracões de lona, sem qualquer proteção lateral, expostos ao frio, chuva e picadas de insetos. "O calor durante o dia era tão intenso debaixo da cobertura de lona que era praticamente impossível permanecer lá dentro por muito tempo", disse o auditor Gilberto Braga. O grupo especial foi formado por seis auditores e um procurador do Trabalho, que foram escoltados por cinco policiais federais além dois agentes da Força de Segurança Nacional. A operação foi montada a partir de denúncias encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho de Alta Floresta, que instaurou inquérito civil público. A água, de aspecto turvo, utilizada para beber e tomar banho, era a mesma que servia o gado. Não havia camas ou banheiros os empregados dormiam em redes amarradas junto às toras de sustentação dos barracos. Também foi constatado que o único equipamento de proteção utilizado pelos empregados, inclusive operadores de motosserra, era as botas, adquiridas por eles próprios, alguns dos quais na cantina da fazenda, em valores bem superiores aos praticados no mercado local. Os empregados relataram casos de acidente de trabalho, com omissão de socorro imediato, limitando. "Já participei de dezenas de operações de combate ao trabalho escravo, e poucas vezes encontrei semelhante estado de degradação da condição humana, como este", afirmou o auditor fiscal Benedito de Lima e Silva Filho. Os trabalhadores foram conduzidos até Juruena, onde foram feitos os procedimentos de registro em Carteiro e em livro de empregados, emissão das guias de seguro-desemprego e acerto das verbas rescisórias. Além desses direitos, cada trabalhador receberá, conforme seu tempo de sujeição às condições desumanas de trabalho e sobrevivência, indenização por danos morais de até R$ 4 mil, arbitrados pelo Ministério Público do Trabalho. No total, as indenizações superam os R$ 200 mil.