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CIDADES
Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010, 19h:16

JUDICIÁRIO

Greve pode se acirrar nos próximos dias

Movimento que já passa de 3 meses pode ser de 100% de paralisação em virtude da multa imposta aos trabalhadores, como ameaça líder sindical

ALECY ALVES
Da Reportagem
Os servidores do Judiciário, parados há mais de três meses, podem radicalizar o movimento grevista. Para quem acha que a Justiça mato-grossense se tornou um transtorno, saiba que a situação pode piorar nos próximos dias. Os trabalhadores estão pensando em compartilhar o pagamento da multa de R$ 5 mil imposta por decisão judicial para suspender os 30% dos serviços que vêm funcionando precariamente. Essa seria uma tentativa de agilizar o envio à Assembleia Legislativa dos projetos de que preveem a correção salarial de 16,5% (referente às perdas acumuladas durante a vigência da Unidade Real de Valor - URV) e a bolsa-alimentação de R$ 400 que beneficiará cerca de 2,5 mil servidores, assegurando o pagamento a partir de novembro deste ano. O presidente do Sindicato (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues dos Santos, até fez as contas da divisão da multa caso essa medida seja adotada. “Podemos trancar tudo, nada funcionaria no Judiciário e cada servidor pagaria um R$ 1 ao dia para cobrir a multa”, declarou ontem, poucos minutos depois de deixar a sede do Tribunal de Justiça sem a resposta que esperava para por fim a greve. Rosenwal justificou que se até o dia 31 deste mês as propostas de lei não forem encaminhadas, as negociações salariais voltam à estaca zero e somente o próximo presidente do TJ poderá voltar a discutir o tema com os trabalhadores. Conforme explicação dele, uma resolução do Tribunal Superior de Justiça diz que questões salariais só podem ser tratadas pelo atual presidente 180 dias antes da posse do novo gestor. O novo presidente do TJ, que deve ser escolhido em outubro deste ano, tomará posse no final de fevereiro de 2011. Rosenwal disse que já comprovou no TJ que os dois anteprojetos de lei, tanto da correção salarial quanto da ajuda de alimentação, estão prontos, apenas na dependência de uma garantia do aporte financeiro do governo do Estado. No Tribunal, observou ele, a desembargadora Clarice Claudino, que vem atuando como interlocutora do presidente José Silvério Gomes, disse que estão na dependência de uma manifestação formal do governo do Estado sobre a ajuda financeira que daria ao Judiciário. Sem um ofício ou qualquer outro documento assinado pelo governador assumindo que repassará pelo menos R$ 2,5 milhões a mais ao mês, R$ 1 milhão para o auxílio-alimentação e pouco mais de R$ 1,5 milhão da correção salarial, os anteprojetos saem do TJ. A assessoria de imprensa do TJ confirmou a informação e disse que o órgão continua no aguardo do documento do governo. No governo, a única informação levantada, vinda da Casa Civil por meio da assessoria, é que os técnicos da Secretaria de Planejamento estariam discutindo a inclusão do recurso no orçamento de 2011.

Edição EDIÇÃO 16959




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