CIDADES
Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011, 20h:40
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KEROLY E KAUANY
Gêmeas separadas têm alta de hospital de São Paulo
O Instituto da Criança (IC), do Hospital das Clínicas de São Paulo, deu alta nesta terça-feira às gêmeas Keroly e Kauany, nascidas em janeiro do ano passado em Cuiabá unidas pela bacia e separadas no IC em novembro. De acordo com a mãe, Selma Gonçalves Maurício Miranda, as meninas estão se recuperando bem e devem ficar mais até três semanas numa casa de apoio em São Paulo para que os médicos acompanhem apenas a cicatrização da cirurgia antes de voltarem para casa, em Vale do São Domingos (a 491 quilômetros de Cuiabá). Keroly e Kauany nasceram como praticamente um corpo só a partir da bacia, dividindo alguns órgãos internos. Elas são as segundas gêmeas xipófagas de nascimento registrado no Estado, mas as primeiras que sobreviveram em um dos raros casos brasileiros de resistência após cirurgias de separação. Ainda grávida, Selma saiu de Vale do São Domingos e se internou no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM). Embora tratasse de uma gravidez de risco, as meninas nasceram sadias. A partir daí, começou a trajetória da família em busca da qualidade de vida das meninas. Com ajuda de doações e de pessoas que se solidarizaram com o caso complexo, Keroly e Kauany foram com a mãe para ser avaliadas pelos médicos do IC, onde já foram realizadas diversas cirurgias para separação de gêmeos xipófagos. O chefe de Cirurgia Pediátrica da instituição, Uenis Tannuri, já havia participado antes de 15 procedimentos de separação, por exemplo. Os médicos chegaram à conclusão de que, embora arriscado, o procedimento de separação seria a única alternativa para garantir o desenvolvimento sadio de ambas, mesmo com as limitações do caso. No final de novembro, as irmãs passaram com sucesso pela cirurgia. Cada uma ficou com uma perna (nasceram com uma terceira atrofiada, que teve de ser amputada) e ambas terão de usar bolsas de colostomia por toda a vida. Próteses para as pernas serão colocadas após a recuperação da cirurgia de separação e depois que elas crescerem mais um pouco, segundo os médicos. Por mais delicada que possa parecer a saúde das meninas, Selma se diz aliviada. Pra quem as viu tão ruinzinhas, isso agora é um milagre. Dá pra levar assim, com certeza. Foi mais difícil vê-las juntas, recorda, afirmando que todas as limitações agora são poucas se comparadas com as que existiriam caso elas vivessem para sempre unidas pelo corpo. Confiante na cicatrização da cirurgia, Selma se diz ansiosa para voltar para casa. Depois disso, as meninas só teriam de voltar periodicamente ao IC para reavaliações.