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CIDADES
Segunda-feira, 03 de Agosto de 2009, 21h:06

EDUCAÇÃO

Escola com chão de terra e teto caindo

Situação acontece em unidade estadual de Marcelândia, que passou por recente reforma no valor de R$ 258 mil. Salas são molhadas para baixar poeira

KEITY ROMA
Da Reportagem
Em uma escola estadual de Marcelândia (a 715 quilômetros de Cuiabá), 60 crianças assistem aula em uma sala com chão de terra e com toras de madeira no teto escoradas, sem qualquer segurança. Para diminuir a poeira no ambiente e amenizar a baixa umidade relativa do ar, as funcionárias de limpeza do colégio precisam molhar o chão ao menos duas vezes ao dia. Curiosamente, a escola passou por uma reforma no ano passado, que custou ao menos R$ 258 mil aos cofres públicos. Quando as crianças com idade entre 10 e 13 anos entram na sala de aula, o pó ainda está sob controle. Isso porque, antes do começo das aulas de cada turno (matutino e vespertino), o chão da sala na Escola Estadual Paulo Freire é molhado com uma mangueira de água. Em cada período, 30 alunos ficam no ambiente por cerca de cinco horas. Com a movimentação das crianças pela sala, aliada às altas temperaturas que fazem a terra secar rapidamente e com o ar do ventilador, o pó começa a subir. “As mesas ficam sujas e acaba sujando todo o caderno”, lamenta o estudante Fernando Barros, de 11 anos. Ele relata que para as meninas é ainda pior. “Elas ficam com o pé todo sujo de andar pela sala, coitadas”, diz. A maioria das crianças no colégio vai às aulas de chinelo, por não ter outros calçados. Não bastasse o incômodo da sujeira, a poeira deixa o ar mais seco, que já é desprovido de umidade devido ao clima e a poluição causada pelos morros de pó de serra espalhados pela cidade em pátios de madeireiras. O colégio sofre ainda com outros problemas. Carteiras quebradas, que balançam quando os alunos se apóiam para escrever, pisos quebrados, teto de madeira apodrecido e fiação elétrica improvisada, exposta no teto, que sequer tem forro. Questionado sobre a incidência de curtos-circuitos quando chove, o diretor, Eduardo Cian, é claro. “Curto-circuito? Já tivemos ‘ene’ vezes. Não dá nem para contar”. A cada chuva que cai na cidade diversos equipamentos são perdidos, segundo Cian. “Compramos até uma lona para cobrir os móveis e equipamentos eletrônicos da secretaria nos dias de chuva”, fala. Apesar de toda a dificuldade que enfrenta a unidade escolar, em dezembro de 2007 iniciou-se uma reforma estimada em R$ 258 mil, que recebeu R$ 94 mil de acréscimo, e que deveria ser concluída em um ano, paga pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O órgão alega que forneceu o montante, mas houve um erro no projeto de engenharia elaborado pela prefeitura de Marcelândia. O projeto, que era para a troca de telhado, acabou sendo usado para outras emergências. O resultado foi que metade da escola foi reformada. Nove salas, das 16, passaram pela reforma e abrigam as crianças menores. Cada sala custou R$ 28,6 mil. Enquanto na 5ª série os estudantes padecem com a poeira, o secretário-adjunto de Estrutura Escolar, Ezequiel Fonseca, diz que a Seduc está esperando receber a correção do projeto para concluir as obras. Ele informou que dos R$ 352 mil das obras, ainda há R$ 124 mil disponíveis.

Edição EDIÇÃO 16959




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