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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

CIDADES
Segunda-feira, 01 de Março de 2010, 21h:50

CHUVA DE MARÇO

Em VG, 2 mil atingidos

Desta vez, temporal da madrugada atingiu 13 bairros da cidade vizinha, onde até casa foi levada pela água

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Pelo menos duas mil pessoas de 13 bairros de Várzea Grande foram afetadas pela intensa chuva que começou na madrugada de segunda-feira e durou cerca de seis horas na Grande Cuiabá. Casas e comércios ficaram alagados, um imóvel desabou e ruas ficaram interditadas. De acordo com o coordenador de Defesa Civil e comandante da Guarda Municipal, Rodrigo Alonso Lemes, o maior problema foi o transbordamento de córregos da cidade. Segundo ele, não houve feridos. Uma notificação preliminar de desastre seria repassada à Defesa Estadual. Desde o início da manhã, equipes da Defesa Civil percorriam as comunidades atingidas. A situação foi mais crítica nos bairros Construmat e Alameda e nas regiões do Parque do Lago e Unipark, que engloba bairros como Maringá I, Santa Clara, Lagoa do Jacaré, Ipanema, Joaquim Curvo, Residencial 8 de Março, Jardim das Oliveiras e Vila São João. Somente nestes dois últimos, aproximadamente 150 famílias tiveram suas residências inundadas. Muitas perderam tudo. Este é o caso do “bicicleteiro” Alacyr Jesus do Nascimento, 39 anos, que teve sua casa, que ficava ao lado do córrego que corta o Jardim das Oliveira, levada pela forte correnteza. “Só ficou a parede do meio”, comentou. O imóvel tinha oito peças. Nascimento contou que quando começou a chover, ele, a esposa e o filho de 17 anos não dormiram mais. “Não pregamos os olhos, ficamos preocupados e, quando a água subiu, só deu tempo de sair de casa. A chuva levou geladeira, fogão, perdemos tudo”, disse. Ao lado do imóvel, parte da pista, que foi interditada, também deslizou. A avenida 31 de Março, ao longo do Aeroporto Marechal Rondon, ficou interditada em dois trechos, nos dois sentidos da pista. Um deles próximo à entrada da Lagoa do Jacaré, onde moradores ficaram praticamente ilhados. “As manilhas do córrego estão entupidas e não suportam o volume de água. Como não tem para onde escoar, a água volta para dentro das casas”, revoltou-se a dona-de-casa Ana Lúcia Pereira, 33 anos. No Residencial 8 de Março, erguido pelo governo do Estado, o sentimento era de revolta. “É um absurdo um conjunto construído pelo governo não ter a infra-estrutura necessária. Não pode chover que inunda tudo”, lamentou Manoel Vicente, 62 anos. Já o presidente da Associação de Moradores, Edézio Francisco de Paula, disse que iria recorrer ao Ministério Público (MPE) para que cobre providências dos responsáveis. A prefeitura de Várzea Grande disponibilizou o ginásio Antonio Sotero, no Parque do Lago, e creches para abrigar as famílias. Porém, muitas não quiseram deixar suas residências ou foram para casas de parentes. No Vila São João, até mesmo uma senhora que passou mal recusou o atendimento do Serviço Móvel (Samu) e não quis ir para uma unidade de saúde. Já o pintor Sidney de Oliveira tentava limpar a casa. “Às 4 horas da manhã a casa já estava debaixo d’água. Só deu tempo de correr com a mulher e dois filhos, que saíram assustados”, comentou. Na região, os moradores capturaram duas sucuris, ambas com aproximadamente três metros. A Defesa Civil também colocou à disposição da população água potável e alimentos. Para evitar maiores danos, a orientação é que os moradores de áreas de risco ou próximo a córregos fiquem atentos. Caso as intensas chuvas continuem, as famílias devem procurar um local seguro e, se possível, retirar o quanto antes os pertences ou bens materiais de dentro das residências.

Edição EDIÇÃO 16959




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