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CIDADES
Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006, 21h:10

SANGUESSUGA

Delegado toma depoimento de petistas de SP

KEKA WERNECK
Da Reportagem
É a vez do diretório paulista do Partido dos Trabalhadores (PT) dar explicações que convençam à Polícia Federal de que não saiu de um caixa dois da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT/SP) o dinheiro que seria usado na compra do dossiê anti-tucanos. O delegado Diógenes Curado Filho, presidente do inquérito do dossiê, ouve hoje, em São Paulo, três integrantes do diretório. O ex-coordenador financeiro da campanha de Mercadante ao governo de São Paulo, Giácomo Bacarin; o presidente do PT em São Paulo, Paulo Frateschi, e o tesoureiro do partido no Estado, Antônio dos Santos. Diógenes ouvirá também dois funcionários da Transbank, empresa de transporte de valores cujo carimbo consta nas notas de reais apreendidas com Gedimar Passos e Valdebran Padilha, no Hotel Íbis Congonhas, onde foram presos com o dinheiro – R$ 1,7 milhão (em reais e dólares). A empresa teria sido contratada pelos chamados “aloprados” para fazer o transporte dos valores. A origem de parte dos dólares já é sabida. A Vicatur, uma casa de câmbio em Nova Iguaçu, baixada carioca, cujos donos estão indiciados por crime contra o sistema financeiro. Quanto à quantia em reais, ainda é um mistério a origem dela. O delegado trabalha com a hipótese de caixa dois. Como a maioria dos envolvidos na compra do dossiê são também ligados ao diretório paulista, especula-se que o dinheiro teria saído irregularmente dali. O relatório final com a conclusão das investigações deve sair até o dia 23, quando termina o prazo dado pela Justiça Federal para a prorrogação das investigações. Além de tentar descobrir a origem do dinheiro, a PF busca, com estas oitivas, indícios de envolvimento de Berzoini no caso. No relatório parcial divulgado, Curado aponta que há indícios de que o deputado sabia do esquema, mas sustenta que as provas não são suficientes para incriminá-lo. No último dia 4, a Justiça Federal de Mato Grosso decidiu prorrogar em mais 20 dias o inquérito sobre o caso. Assinada pelo juiz federal Jeferson Schneider, a decisão atendeu parcialmente ao pedido da PF, que queria mais 30 dias para concluir as investigações. Esta foi a terceira prorrogação aceita pela Justiça desde o início do caso do dossiê em 15 de setembro, quando a PF apreendeu no hotel Ibis, em São Paulo, R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil que seriam usados para pagar Luiz Antonio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, pelo dossiê contra tucanos.

Edição EDIÇÃO 16959




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