A família do colombiano D.F.G., de 44 anos, não chegou a Cuiabá motivada apenas pela perspectiva de encontrar emprego e renda. O que eles buscam há quase dois anos, sem qualquer sucesso, é um lugar onde não se sintam sob constante ameaça. Fugitivos dos conflitos armados entre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e grupos paramilitares de seu país, perseguidos por agiotas e sem dinheiro para custear sequer o básico, eles levam uma vida cigana marcada pelo medo. Tentamos o Equador, Peru e a Bolívia. Às vezes, até parecia que iria dar certo, mas era tudo ilusão. Eu já não sabia mais para onde ir e então pensei no Brasil, um país bem maior. Entramos por Corumbá (MS). Casado e com três filhos (o mais novo, de nove meses, nasceu durante a passagem pela Bolívia), o colombiano conta que fugiu de seu país após um sítio que possuía na cidade de Istmina, no departamento de Choco, ser invadido por um pelotão de guerrilheiros. Fomos obrigados a dar abrigo e comida para eles, ou nos matariam. O problema é que os grupos paramilitares não perdoam quem ajuda os guerrilheiros. Alguns dias depois, nos atacaram com metralhadoras. Tiveram que deixar tudo para trás, incluindo dívidas com agiotas violentos. Eles têm muitos contatos. Sempre dão um jeito de nos encontrar. (RV)