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CIDADES
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009, 21h:40

OBRAS DO PAC

Cinco mil operários estão parados

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
De braços cruzados. Essa é a situação que aproximadamente cinco mil trabalhadores diretos enfrentam em Cuiabá com a paralisação das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), desde a última segunda-feira. Empreiteiras responsáveis pela obra paralisaram as atividades nos sete lotes autorizados em Cuiabá, por conta da Operação Pacenas, em que empresários do setor e representantes da prefeitura foram presos acusados de irregularidades no processo licitatório. A estimativa do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon) é de que a situação se agrave ainda mais, já que não existe uma perspectiva de retomada das obras por parte das construtoras. “Já solicitamos uma reunião com o prefeito Wilson Santos e estamos aguardando”, afirmou o presidente, Joaquim Dias Santana. A esperança, segundo ele, é de que o poder público possa intervir para garantir o respeito das construtoras aos trabalhadores. “Eles escondem dados sobre o número de trabalhadores empregados, fazem tudo o que bem entendem e não tem nada que os obrigue a cumprir nossa convenção coletiva de trabalho”, explicou Joaquim, que já procurou também o Ministério Público por conta da situação. Os pouco mais de R$ 15 milhões pagos pela Caixa Econômica Federal (CEF), de acordo com o último relatório do PAC divulgado pela Unidade Executora do Local (UEL/PAC), foram seqüestrados pela Justiça Federal. Do Consórcio Cuiabano foram R$ 6,241 milhões, R$ 466 mil, do Sanebem, e R$ 898 mil, do Consórcio LGL. Os valores, segundo o juiz federal Julier Sebastião da Silva, representam o dano consumado aos cofres públicos até 17 de junho de 2009, provocado pela fraude nas licitações. Na região do lote 03, correspondente ao Jardim Araçá, Flamboyant e Santa Amália, maquinário pesado e funcionários “sumiram” desde o acidente com os operários, há uma semana. Relatório da Polícia Federal do mês de maio já apontava falha na execução do serviço. Sem dinheiro para trabalhar, as empreiteiras aguardam ainda a liberação de R$ 1.234.869,88, de serviço já prestado, mas que se encontram retidos na Caixa Econômica Federal. A prefeitura também informou que suspendeu o repasse de pelo menos R$ 10 milhões. MORTES - A assistência prometida às famílias dos operários, vítimas de um deslizamento ocorrido no canteiro de obras do Jardim Araçá, no dia 4 de agosto, também não aconteceu. “Assistência não é somente enterrar o trabalhador. Estamos tomando as medidas cabíveis para isso”, disse Joaquim. Ontem, ele esteve em Cáceres (240 quilômetros ao sul de Cuiabá) para prestar auxílio à família de um dos mortos. Procurados pela reportagem, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e as empresas integrantes do consórcio não se manifestaram sobre o assunto. Os prazos para retomada das obras também não foram informados.

Edição EDIÇÃO 16959




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