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CIDADES
Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2011, 21h:39

TEMPORAL

Casas e ruas alagadas

Precipitação da madrugada foi equivalente a mais da metade do que esperado para o mês na Capital

ALECY ALVES
Da Reportagem
Casas e ruas da Grande Cuiabá foram alagadas com o temporal da madrugada de ontem, um dos maiores deste ano na região, quando choveu mais da metade do volume esperado para o mês: 118,9 milímetros, para o previsto de 199 durante fevereiro inteiro. Quem vive em áreas de risco, às margens de córregos e do rio Cuiabá, viveu mais uma noite de desespero. Dona Duzolina Massote Teixeira, 66 anos, que há 26 anos vive à margem do córrego Machado, numa área vizinha à Cohab São Gonçalo, no Coxipó, passou a noite em claro. O córrego mais uma vez transbordou e invadiu o quintal e a pequena área da casa onde moram ela e outras oito pessoas, quatro delas, crianças. Duzolina contou que as inundações começaram há seis anos, com a construção de novos residenciais nos bairros vizinhos, na parte de cima do córrego. Vizinho de Duzolina, Ademar Alves da Silva, que mora com a mulher, duas filhas deficientes e neto, disse que não suporta mais a vida de sofrimento que leva. “Vivemos apavorados, não conseguimos dormir com medo de a água invadir nossa casa e nos arrastar daqui”, descreveu. Na madrugada de ontem, a água chegou ao portão da casa de Ademar. Aproveitando a visita do prefeito Francisco Galindo, que ontem interrompeu a reunião do secretariado para visitar as áreas de risco e onde ocorreram inundações, Ademar fez um apelo emocionado. “Pelo amor de Deus nos tire daqui, nossas vidas valem mais que qualquer briga por indenização. Não queremos passar pelo que aconteceu com moradores do Rio de Janeiro”, disse. Para Ademar, se está comprovado que vivem em área verde e de risco de inundação, não adianta permanecer correndo risco porque tem uma casa grande, que vale mais que a moradia doada pela prefeitura. “Eu mesmo tenho uma casa de oito peças, mas não me importo de sair para uma menor”. Apelo similar fez Duzolina, que disse que espera ansiosa pela a hora de deixar o local para viver em um lugar seguro. As duas famílias vão ser transferidas até o final deste mês. O secretário de Habitação, João Emanuel Lima, informou que da área serão removidas 36 famílias para os residenciais Jamil Nadaf e Alice Novack. No bairro Praieiro, o temporal assustou os moradores que vivem às margens do córrego Barbado. Grávida de seis meses, Rosenir Benta de Lima, 30 anos, disse que sente tristeza, mas sabe que não pode permanecer no local. Desde que nasceu Rosenir mora na mesma casa, um barraco de madeira construído pelos pais que agora é ocupado por ela, o marido e um filho. O coordenador municipal da Defesa Civil, engenheiro José Pedro Zanetti, informou que não há desabrigados em Cuiabá. Conforme ele, durante o temporal, foram registradas três chamadas no Corpo de Bombeiros. Uma delas, no Distrito Industrial, foi de um motorista que ficou preso e apavorado num ponto alagado da avenida paralela à rodovia. A segunda chamada partiu de uma residência alagada no Parque Cuiabá. A terceira veio da Rodovia Palmiro Paes de Barros, onde ocorreu um alagamento na pista. RETIRADA - Hoje pela manhã, a Prefeitura deve começar a retirada de 70 famílias que vivem às margens do córrego Barbado no bairro Praeirinho. A nova moradia das pessoas que estão em áreas de risco de inundação será o residencial Novo Praeiro, recém-construído no mesmo bairro. É para lá que vão as famílias de Rosenir Benta Lima e de outros vizinhos dela.

Edição EDIÇÃO 16959




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