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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 01 de Agosto de 2009, 14h:19

Antigos ilegais se adaptam à sustentabilidade

É em uma caminhonete velha que Mateus Silva, de 28 anos, enfrenta a estrada para chegar ao local de trabalho: a mata ainda fechada na Floresta Amazônica. O homem que ajudou a devastar parte dos 400 mil hectares da vegetação hoje aberta ou degradada em Marcelândia não conseguiu ficar rico com as práticas ilegais. “É só ilusão”, garante. Hoje, o trabalhador tenta se readequar à nova realidade do desenvolvimento sustentável, termo para ele ainda sofisticado demais, mas que começa a fazer algum sentido em sua vida. Mateus divide com o sócio Franciel Angeli, de 26 anos, uma sorte hoje pouco comum na área. Após anos retirando da mata madeiras frias, ilegais, os dois conseguiram um emprego legalizado para trabalhar de acordo com as normas ambientais. A preocupação faz parte de uma nova consciência coletiva que está se desenvolvendo na região com a repressão ao desmatamento. Mateus já trabalhou no Pará e voltou para Marcelândia há três anos. Não raro, pode soar estranho, mas é comum na área, ele alugava terrenos para a retirada ilegal de toras da floresta. O mesmo fazia Franciel. Pagavam cerca de R$ 40 a cada metro cúbico de madeira fria retirada do terreno de terceiros. “Acaba sendo caro, porque o transporte da madeira ilegal é muito mais caro. Era terrível, a gente ouvia um barulho e tinha que sair correndo. Podia ser os homens chegando (fiscais)”, conta Franciel, que teve um caminhão, avaliado em R$ 45 mil, apreendido ano passado no Pará com a prática. Os dois agora montaram uma empresa legalizada e prestam serviços para a derrubada com projetos de manejo devidamente aprovados. Empregam nove colegas, que também já fizeram parte do grupo dos ilegais. “Os madeireiros que têm que ser fiscalizados. Os caras que estão aqui no mato são uns coitados, que, tem dia, não têm nem o que comer e precisam voltar com dinheiro para casa”, defende Mateus. Os fazendeiros ainda encontram muitas dificuldades para obter os projetos de manejo, que demoram a ser aprovados nos órgãos responsáveis, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Mateus e Franciel garantem que não querem voltar para a clandestinidade. “É bom demais trabalhar assim. Só que quando não tem projeto aprovado, não tem emprego, a gente acaba fazendo o que tem”, fala Franciel. (KR)

Edição EDIÇÃO 16959




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