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CIDADES
Segunda-feira, 25 de Abril de 2011, 20h:36

ERGÁSTULO

Agente do esquema preso

Único foragido da Justiça em operação para desmantelar tráfico na Penitenciária Central se apresenta ao Gaeco

ALECY ALVES
Da Reportagem
Já está no presídio de Santo Antônio de Leverger (destinado a policiais e ex-policiais) o agente prisional Valderson Wilson Guimarães, ou “Caveiriha”, como é mais conhecido. Ele é apontado por pelo menos quatro dos 13 acusados da Operação Ergástulo como um dos que mais facilitavam a entrada de drogas e celulares na Penitenciária Central do Estado, a antiga Pascoal Ramos. Valderson estava foragido desde quarta-feira passada, data em que três policiais militares e três agentes prisionais foram presos por tráfico de drogas com mandados judiciais. No Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), onde se apresentou acompanhado de advogado, Valderson negou as acusações, mas admitiu apenas que recebia “cantadas”, como se expressou, de presos para facilitar a entrada de telefones no prédio. Para entrada de droga, declarou, jamais lhe foi proposto. Ao promotor do Gaeco Sérgio Silva Costa, que o interrogou, o agente prisional disse que costumava enrolar os presos até desistirem dos pedidos. As declarações dele, conforme Costa, contrariaram o que quatro acusados disseram, ou seja, que Valderson era a pessoa que mais facilitava. Apesar de não haver gravação de conversas telefônicas entre Valderson e outros acusados, o promotor disse que havia indícios suficientes para denunciá-lo, a exemplo dos demais, por associação ao tráfico e formação de quadrilha, com atuação contínua nas imediações e dependências da penitenciária. Desde o início deste ano, Valderson ou Caveirinha não atuava como agente da Penitenciária Central. Ele havia sido transferido para o Fórum Criminal de Cuiabá, onde fazia a escolta de presos levados ao local para audiências. Ao promotor, o agente disse que fugiu da prisão porque estava com problemas de saúde. Entretanto, suas declarações não convenceram o Gaeco, que entendeu a fuga como uma tentativa de revogar o decreto de prisão preventiva. Além de Valderson, estão presos os PMS Cássio Renato dos Reis, Leonardo de Freitas e Júlio Cesar de Amorim – que trabalhavam no Corpo do Guarda e são responsáveis pela revista das visitas. O esquema era completado por outros agentes prisionais – Ronei José da Silva e Udeson de Souza Lima. Os acusdos permitiam que drogas chegassem às mãos de três chefes do tráfico – Burt Lancost da Silva Meneses, Amilton Rodrigues de Souza e Everaldo Manoel Hurtado, que estão presos, segundo o Gaeco. Também foram presas Aline Laura Ferreira da Silva e Liliane Leite Silva, donas de barracas em frente ao presídio por onde supostamente passava a droga. A entrada de drogas está sendo apurada pelo Gaeco há quase um ano, desde maio de 2010, quando uma bolsa, com 6,6 quilos de maconha, 200 gramas de cocaína, além de carregadores e oito celulares, foi abandonada no pátio do presídio.

Edição EDIÇÃO 16959




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