BRASIL
Terça-feira, 13 de Julho de 2010, 20h:48
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CORPO DE ELIZA
Veterinário ajuda na busca por vestígios
A vítima, segundo suspeitos de envolvimento no crime, teria sido esquartejada por Bola e seus restos mortais jogados para cães da raça rottweiler
EDUARDO KATTAH
Da Agência Estado BH
Na busca por vestígios dos restos mortais de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, a Polícia Civil mineira requisitou os trabalhos de um veterinário. A intenção é tentar recolher material que possa comprovar se ela foi mesmo morta como descrito em depoimentos. A vítima, segundo suspeitos de envolvimento no crime, teria sido estrangulada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, esquartejada e seus restos mortais jogados para cães da raça rottweiler. Os cães foram apreendidos na casa do ex-policial, em Vespasiano (MG), onde a jovem teria sido morta. O veterinário Fernando Pinto Pinheiro compareceu ontem de manhã ao Departamento de Investigação (DI), a convite do delegado Edson Moreira, e sugeriu um trabalho de perícia envolvendo os cães. De acordo com Pinheiro, ainda é possível encontrar unhas e cabelos nas fezes secas dos cães, que foram recolhidas pelos policiais. Segundo ele, como o crime teria ocorrido há mais de um mês, exames internos nos animais, como endoscopia, não apresentariam resultados. O veterinário também acredita que é possível utilizar o reagente Luminol na pelagem dos animais para detectar a presença de eventual sangue da vítima. Pinheiro ressaltou que os cães da raça rottweiler são "extremamente vorazes, agressivos, perigosos e se não forem bem adestrados chegam a ser até incontroláveis". E que comem carne humana, principalmente se estiverem "esfomeados". "O cão é um carnívoro e jamais recusa uma carne, seja de qual animal for", disse. VESTÍGIO A chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, Ana Maria Santos, observou que a intenção da polícia é identificar o exame mais adequado para a detecção de algum vestígio, tendo em vista o fato de o suposto assassinato, conforme depoimentos, ter ocorrido em 9 de junho. "Nós adotaremos, buscaremos a melhor técnica, a melhor forma de periciar esses cães, sobretudo tendo em conta o decurso de tempo." Pelo menos dez rottweilers foram recolhidos da casa de Bola e levados para o Centro de Zoonoses. Anteontem, em conversa com seu advogado, Zanone Oliveira Júnior, o ex-policial manifestou preocupação com o destino dos cachorros apreendidos em sua residência. A polícia procura manter em sigilo o resultado de perícias em andamento, como em relação aos vestígios de sangue encontrados no Citroën de Bola. Questionada hoje sobre o assunto, a delegada não respondeu. O delegado Frederico Abelha considera que ainda não se esgotaram as possibilidades de localização dos restos mortais de Eliza no sítio que era alugado pelo ex-policial em Esmeraldas. "Acho que não, ali é muito grande." TESTEMUNHA Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, uma testemunha reiterou ontem o envolvimento de Bola com uma organização de extermínio que atuaria dentro do extinto Grupo de Resposta Especial (GRE) da Polícia Civil. Usando um capuz para não ser identificada, a testemunha reafirmou a acusação de que Bola participou do desaparecimento de Paulo César Ferreira e Marildo Dias, que foram presos por integrantes do GRE em 2008. Os corpos dos jovens não foram localizados.