Suspeito de encomendar dados nega relação com vazamento
O contador Ademir Estevam Cabral, suspeito de envolvimento na quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, prestou depoimento ontem na delegacia seccional de Santo André, na Grande São Paulo. Segundo versão do falso procurador de Verônica, Antônio Carlos Atella Ferreira, Ademir seria o responsável por ter encomendado o pedido de acesso às declarações de renda da filha do tucano. Ademir confirma que realiza trabalhos na Receita Federal e na Junta Comercial, mas negou que tenha feito qualquer pedido em relação aos dados fiscais de Verônica. Atella, que também tinha um depoimento marcado para esta quinta-feira, será ouvido apenas hoje. Os dois contadores são peças-chave na apuração da quebra de sigilo de Verônica. Atella utilizou uma procuração falsa para acessar os dados da filha de Serra em 30 de setembro de 2009. Descoberto, o contador acusou o colega Ademir de ter encomendado a papelada, que comporia um lote com dados de outras 18 pessoas. Na versão do falso procurador, Ademir trabalharia como intermediário de pessoas de Brasília, Minas Gerais e interior de São Paulo. Segundo informações da Justiça Eleitoral, Atella teria se filiado ao PT em 2003. A relação com o partido da candidata do PT, Dilma Rousseff, elevou as suspeitas de que a violação do sigilo de Verônica seria parte de uma trama política para prejudicar o candidato tucano. Além da filha de Serra, outros políticos tucanos tiveram suas declarações de renda acessadas indevidamente em Mauá, Santo André e em Formiga (MG). O governo defende a tese de que os vazamentos seriam parte de um esquema de compra e venda de informações fiscais sem fins eleitorais.