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BRASIL
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009, 07h:42

JULGAMENTO

Supremo rejeita processo contra Palocci

O STF rejeitou um pedido do procurador-geral da República para que fosse aberto um processo criminal contra Palocci. A maioria seguiu o voto do relator

MARIÂNGELA GALLUCCI
Da Agência Estado – Brasília
O deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci está livre para disputar o governo de São Paulo ou outro cargo de relevo na eleição do próximo ano. O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou ontem um enorme obstáculo que poderia ser colocado à candidatura de Palocci. A maioria dos ministros concluiu que o parlamentar não deve responder a uma ação penal por suspeita de participação na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. REJEIÇÃO O STF rejeitou um pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que fosse aberto um processo criminal contra Palocci. A maioria dos ministros seguiu o voto do relator do inquérito no STF, o presidente do tribunal, Gilmar Mendes. Segundo ele, não existiam no inquérito elementos que comprovassem a participação de Palocci na quebra do sigilo. "A análise exaustiva e pormenorizada dos autos permite concluir que não há elementos mínimos que apontem para a iniciativa do então ministro da Fazenda e, menos ainda, que indiquem uma ordem dele proveniente para a consulta, emissão e entrega de extratos da conta poupança de Francenildo dos Santos Costa", afirmou Mendes. "Nos presentes autos, sequer se consegue descrever a conduta dolosa ou culposa, absolutamente necessária para a responsabilização penal. O que existe é um conjunto de ilações que, embora tenham aspiração de serem verdadeiras, como é o caso do benefício, não estão suficientemente concatenadas de forma a constituírem elementos de prova e, mais grave que isso, dificultam a defesa do denunciado, que se vê na contingência de provar que não se beneficiaria do fato", disse Mendes. "Não há qualquer elemento que indique que o denunciado solicitou, sugeriu ou determinou a emissão do extrato", afirmou Mendes. Segundo Mendes, também não há provas do envolvimento do ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda Marcelo Netto na divulgação dos dados bancários de Francenildo para a imprensa SIGILO A violação ao sigilo bancário de Francenildo ocorreu em 2006, depois que o caseiro revelou ao jornal O Estado de S Paulo, em entrevista exclusiva, que Palocci frequentava reuniões com lobistas numa casa em Brasília. Em depoimento na CPI dos Bancos, o caseiro disse que Palocci era chamado no local de "chefe". Na época, Palocci era ministro da Fazenda. Surgiram suspeitas de que a quebra do sigilo tinha sido determinada pelo ministro da Fazenda. Como consequência, Palocci, na época um dos principais ministros da equipe de Lula, caiu.

Edição EDIÇÃO 16959




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