O "ministro do apagão Pedro Parente negou ontem que um relatório elaborado em 1996 alertasse a gravidade da situação da crise de energia que atinge o país hoje. "Nunca se disse que nós poderíamos ter um racionamento que chegaria a 20%, com quatro, cinco ou seis horas de apagão. Isso nunca foi dito, afirmou. Segundo Parente, o relatório elaborado em 1996 apontava para a necessidade de investimentos na instalação de cerca de 2.900 a 3.000 MW por ano para se evitar um racionamento superior a 5%. "Uma coisa é um risco de racionamento de 5%, a outra é, havendo o racionamento, qual será o tamanho desse racionamento. Isso nunca foi dito, completou. Parente disse ainda que na época (1996) era secretário-executivo do ministério da Fazenda e não do ministério de Minas e Energia, "portanto, sem responsabilidade direta em relação ao assunto. Para o ministro, a situação também era "muito diferente de hoje, pois não existia a Lei das concessões e o contexto era outro. A denúncia de que Parente teria conhecimento da gravidade da crise desde 1996 surgiu a partir de um relatório apresentado pelo então ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, que foi conhecido depois que o ex-senador Antonio Carlos Magalhães afirmou que o governo havia sido avisado pelo ministro Brito da crise no setor.