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BRASIL
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010, 19h:09

ELEIÇÕES-2010

José Serra sobe o tom nas críticas ao presidente Lula

WILSON TOSTA
Da Agência Estado – Rio de Janeiro, RJ
Em entrevista cheia de ataques ao governo federal, ao PT e à candidata petista à Presidência, Dilma Roussef, o postulante do PSDB ao Planalto, José Serra, subiu ontem o tom de suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparando a ação do chefe de governo na campanha ao apoio de Paulo Maluf a Celso Pitta na disputa pela prefeitura paulistana em 1996. O candidato tucano ressalvou que não comparava pessoas, mas declarou que somente se vencer Lula poderá concorrer de novo a presidente, em 2014 - senão o hoje presidente não conseguiria nem mesmo uma vaga na Câmara dos Deputados, opinou. Serra traçou um cenário sombrio para o País, na eventualidade de uma vitória de Dilma, fracasso que, para ele, inviabilizaria a candidatura de Lula. "O Lula só tem uma chance de ser candidato em 14 de novo: se eu ganhar", disse o tucano, em sabatina do jornal "O Globo". "Se a Dilma ganhar, Lula não se elege deputado. O que aconteceu com o Maluf em São Paulo? Ninguém sabia quem era o Pitta. Ele elegeu. O que aconteceu?", lembrando o fracasso do governo Celso Pitta, que naufragou em meio a um escândalo envolvendo a falsificação de precatórios e tornou impossível a volta de seu padrinho a cargos executivos. "Só falta o Lula dizer: não votem em mim se a Dilma não governar bem." Serra criticou o "mito" de que Lula "continuaria governando, de fora", no caso de Dilma ser eleita e afirmou que "o modelo Lula esgotou". "Acho que nem que (o presidente) continuasse por dentro, mesmo que tivesse mais uma eleição - seria um período muito complicado", afirmou. "Talvez ele até tenha percebido isso, quando não quis a possibilidade de um terceiro mandato." Serra disse que Dilma é mais fraca do que o PT - diferentemente de Lula, que tem mais força que o partido - o que, opinou, causaria problemas sérios, na eventualidade de um governo dela, porque, disse, "o PT é o partido da encrenca". "Votar em um envelope fechado é uma temeridade", atacou, referindo-se à adversária petista. "Alguém que está perto da inexistência em matéria política, é inventado pelo governante que está saindo e tem popularidade. Não tem ideias próprias, tem uma máquina avassaladora em cima." Ele afirmou não acreditar na vitória de Dilma. "Botar lá gente que vai continuar com esta privatização do Estado, privatização do governo, com os abusos, com o desrespeito à democracia essencialmente no sentido de não tratar todos da mesma maneira, incompetência, desconhecimento da realidade, falta de propostas, governo publicitário, é um risco muito grande para o Brasil." O tucano disse que, no período do presidente Fernando Henrique Cardoso, o preço médio das exportações brasileiras caiu 12%, enquanto nos anos Lula subiu 110%, o que teria dado ao presidente recursos que não foram corretamente aproveitados. "(Lula) Nadou em dinheiro, numa conjuntura muito especial e única, inclusive, no pós-guerra", disse. "Eu não me lembro, como economista, de um período de bonança como este. No entanto, este período não foi aproveitado para colocar o Brasil num rumo de médio e longo prazo. Não temos hoje fundamentos sólidos para um desenvolvimento sustentado ao longo dos anos." Ele afirmou ainda considerar a eleição de 2010 muito importante para o País com consequências importantes na economia e na sociedade. "Acho que a ética na política, na vida pública está chegando no chão: a banalização de todos os maus costumes da política brasileira, a desvalorização do mérito, das instituições, dos direitos individuais. Acho que ou temos um governo diferente e competente ou entraremos em um processo de desgaste muito acentuado", advertiu. "Eu podia tranquilamente me reeleger em São Paulo - acho, nunca se sabe - e ficar aguardando 2014. Na seguinte premissa: bom, a Dilma ganha, o PT não elege nem vereador em Xiririca na próxima, porque o País não vai, não dá para ir nessa perspectiva. Mas me pareceu irresponsável." (Colaborou Gabriela Moreira)

Edição EDIÇÃO 16959




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