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BRASIL
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010, 19h:51

INTERNET

Dilma e Serra sobem o tom em debate

ROLDÃO ARRUDA
Da Agência Estado - São Paulo
No caso da propaganda eleitoral gratuita da TV, transmitida em cadeia nacional para todo o País, o presidenciável José Serra, do PSDB, ainda não definiu qual o momento certo para começar o bombardeio contra Dilma Rousseff, candidata do PT e líder nas pesquisas sobre intenção de voto. Para plateias mais restritas, porém, ele acha que já é hora de bater pesado. Foi isso o que se viu ontem no encontro promovido pelo portal UOL, com transmissão ao vivo pela internet, com a presença de Serra, Dilma e Marina Silva, do PV. Em pouco mais de duas horas de debate, que tinha um formato menos engessado do que o realizado pela TV Bandeirantes no início do mês, ele acusou a concorrente petista de "ingrata" e "mentirosa", disse que ela finge não ouvir as críticas, para não ter de responder, e que só olha para o passado. "Você tem fixação no passado. Seu espelho retrovisor é maior que seu para-brisa", afirmou, diante da insistência de Dilma em fazer comparações entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Serra disse ainda que a líder nas pesquisas faz parte de um partido que sempre apostou no "quanto pior melhor" e que tolera a corrupção. "Eu não passo a mão na cabeça de quem faz atrocidades, como o dossiê dos aloprados contra mim. Ninguém foi punido dentro do PT", afirmou, referindo-se a episódio ocorrido nas eleições de 2006. Serra também procurou mostrar a petista como candidata despreparada e sem conteúdo. No debate sobre uma ação envolvendo o ProUni, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), proposta pelo DEM, partido aliado dos tucanos, ele disse que a petista não acreditava no que estava dizendo. "Algum assessor te passou isso", ironizou. Não foi só o tucano, porém, que definiu que chegou a hora de atacar. Marina, estacionada na marca de 8% das intenções de voto, também falou duro. Fez críticas à administração tucana em São Paulo e ao uso de uma favela cenográfica na propaganda eleitoral de Serra. Contou que no dia anterior visitara uma favela real, na divisa entre os municípios de São Paulo e Diadema: "São quase 10 mil moradores, abandonados pelas autoridades." Na primeira fase do encontro, Marina passou a impressão de que estava se aliando a Dilma contra Serra. Em seguida, porém, que deseja se distanciar dos dois. Também criticou a propaganda da petista transmitida no dia anterior, que terminava com uma canção sugerindo que Lula vai transferir para ela os cuidados com o povo brasileiro povo. "Estão querendo infantilizar os eleitores", acusou a candidata. Dilma, que se distancia dos concorrentes nas pesquisas, pareceu mais à vontade do que no debate da Bandeirantes. Procurou se controlar, para não aceitar as provocações de Serra, muito mais experiente em debates, ao mesmo tempo que se esforçava para colar ainda mais sua imagem à do atual governo. "Nós lançamos o programa Minha Casa, Minha Vida", afirmou, numa das vezes em que se pôs no mesmo nível do presidente Lula nas definições dos rumos do governo.

Edição EDIÇÃO 16959




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