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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 04 de Maio de 2013, 13h:09

BRASIL/ARGENTINA

Comércio acumula déficit de R$ 82 mi

A presidente Dilma Rousseff bem que tentou reduzir o estremecimento e reforçar os laços comerciais entre Brasil e Argentina, enfraquecidos desde o ano passado. Recentemente, ela visitou o país vizinho, onde foi recebida por Cristina Kirchner, para falar justamente de negócios. Ainda assim, os resultados do primeiro trimestre do ano foram ruins, e a projeção está nada otimista. Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Mauro Laviola, a Argentina continua impondo restrições ao comércio com o Mercosul - regras que fizeram as exportações brasileiras ao país terem queda de mais de 20% no ano passado. “Em 2012, o nosso superávit, que era de quase US$ 6 bilhões em 2011, diminuiu para US$ 1,6 bilhão”, diz. Conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o saldo comercial de importações e exportações entre os dois países, de janeiro a março de 2013, está com um déficit de US$ 82 milhões. No mesmo período do ano passado, o Brasil tinha um superávit de US$ 968 milhões. O País é um dos principais investidores diretos na Argentina, e o país vizinho é o terceiro maior sócio comercial brasileiro - atrás da China e dos Estados Unidos -, respondendo por 8% das exportações. Porém, outros países estão interferindo na retomada dessa relação. “O curioso disso, se não lamentável, é que o Brasil diminuiu suas exportações para a Argentina, que aumentou a importação da China”, comenta Laviola. Para ele, isso se deve ao fato de os chineses apresentarem preços mais competitivos. “Mesmo pagando uma tarifa de importação, da qual o Brasil é isento pelo Mercosul, o produto chinês chega mais barato do que o brasileiro”, aponta. Em função da escassez de dólares que a Argentina está tendo, por causa da crise econômica, o país está preferindo importar de quem vende mais barato. O vice-presidente da AEB assegura que o problema não está ligado propriamente ao comércio, mas sim à economia da Argentina. “O governo mascara a taxa de inflação. A real está em torno de 25%, mas o governo não admite que passe de 10%. O dólar no paralelo chegou a 9,37 pesos na semana passada, o que é uma loucura. A situação interna da Argentina é muito caótica”, diz. Além disso, o país passa por problemas fiscais e não tem crédito internacional. “O Brasil procura ajudar porque é o principal parceiro, sobretudo no setor de produtos industrializados, mas é totalmente imprevisível o que vai ocorrer daqui para frente no governo Kirchner”, reflete Laviola. Apesar do quadro imprevisível, para pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da FGV Lia Valls, é necessário que o Brasil limpe o máximo possível seus problemas com a Argentina. “Em termos de comércio, principalmente. No fundo, as exportações brasileiras estão caindo. De janeiro a abril de 2013, estamos com déficit comercial com a Argentina, mas isso não preocupa muito porque o Brasil está importando mais, e a Argentina não está crescendo tanto assim”, afirma.

Edição EDIÇÃO 16959




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