BRASIL
Terça-feira, 25 de Maio de 2010, 21h:07
A
A
Avaliação: pré-candidatos têm propostas semelhantes
RENATO ANDRADE
Da Agência Estado Brasília
A defesa de pontos cruciais da agenda da indústria acabou igualando os três pré-candidatos à Presidência da República na avaliação de empresários que estiveram presentes ao encontro promovido ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Têm muitos pontos comuns na espinha dorsal e as divergências são de procedimentos e prioridades", avaliou Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Reforma tributária, redução de encargos trabalhistas, manutenção das políticas de juros, câmbio e inflação foram algumas das promessas feitas por Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) durante o evento. Em sintonia com as reivindicações da plateia, a impressão de igualdade entre os três pré-candidatos acabou imperando. "Todos estão colocando o desenvolvimento sustentado como prioridade, a responsabilidade fiscal, a responsabilidade com o cumprimento de contratos, com o cumprimento de regras. Isso é que faz a espinha dorsal de um país que está amadurecendo", afirmou Godoy. Nem mesmo a falta de detalhes sobre como cada um pretende conduzir temas sensíveis para a economia suscitou maiores preocupações. Horácio Lafer Piva, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmou que se os pré-candidatos deixarem de lado a "conversa fácil" sobre temas como a reforma tributária, a campanha terá mais conteúdo. "É preciso dar um desconto porque eles não estão ainda com os programas prontos", ponderou. "Você paga um preço por fazer debate tão cedo. O preço é ainda não ter nada definitivo." Para Lafer, o discurso de Dilma foi muito centrado nos resultados obtidos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No caso do ex-governador Serra, o perfil adotado foi mais técnico, enquanto a senadora Marina buscou o caminho emocional. "Serra tem muita substância do ponto de vista técnico. A Dilma apresenta uma agenda que tem feito sucesso neste governo e a Marina mobiliza pelo ponto de vista ético", disse Lafer. "Dado o fato de ser o primeiro debate, os três se saíram bem." EQUILÍBRIO Paulo Godoy, por sua vez, acredita que o equilíbrio de posições assegura que a transição de governo se dará sem turbulência. "Vamos passar por um processo de alternância de poder não mais com aqueles sustos", disse. "Essa transição política é uma das provas que o Brasil tem de oferecer para mostrarmos que somos um País maduro para receber investimento de longo prazo, aporte de recursos maiores ainda".