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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 13h:59

SERPENTE

Aumenta registro de picadas no país

O número de acidentes ofídicos, ou seja, picadas de serpentes, está crescendo no Brasil. Em 2001, foram 18.895 casos, contra 28.648 em 2005, alta de 51%, segundo o Sinan, do Ministério da Saúde. Mas isso não significa que o número de serpentes esteja subindo. As principais razões para o aumento são a melhoria no sistema de notificações e a presença cada vez maior do homem nas regiões onde se concentram esses animais. Em 2004, os acidentes com escorpiões ultrapassaram, pela primeira vez, os problemas com serpentes e chegaram a 36.192 no ano passado. Embora o número seja grande, as picadas de escorpião muitas vezes dispensam o uso de soro. Isso porque esses animais estariam se adaptando melhor aos homens do que as serpentes. De acordo com Fan Hui Wen, que coordena o programa de vigilância dos acidentes dos animais peçonhentos do Ministério da Saúde, o aumento nos acidentes com serpentes tem diversas motivações. Uma delas é a melhoria no sistema de informação. O desmatamento também estaria impulsionando os acidentes. Na Amazônia, por exemplo, a chegada da soja coloca o homem mais perto do perigo. Também existe uma tendência de aumento em decorrência da presença cada vez maior de turistas e esportistas em locais onde há cobras. No Brasil, existem quatro tipos de serpentes peçonhentas: o gênero bothrops, das jararacas, jararacuçus e cruzeira; o gênero crotalus, das cascavéis; o lachesis, das surucucus, e o micrurus, das corais. Elas estão espalhadas por todo o território, não só em áreas de vegetação densa mas também em matas nas periferias das cidades. Em caso de picada, a vítima deve ficar em repouso e ser levada com urgência a um posto de saúde pública. Se for possível levar a serpente, viva ou morta, a identificação será mais rápida. Caso contrário, médicos devem avaliar por meio dos sinais e sintomas qual animal foi o responsável, uma vez que para cada serpente há um soro específico. "É fundamental receber o tratamento o mais rápido possível. Cem pessoas morrem por ano, das quais 70% são atendidas depois de seis horas. Quanto mais rápido receber o soro, melhor o prognóstico”, afirma Francisco Oscar de Siqueira França, médico da Divisão de Moléstias Infecciosas do HC e do hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan. Os venenos provocam inflamações, alteração da coagulação, hemorragia e necrose. Também atacam os músculos e paralisam os nervos - o que dificulta a abertura dos olhos, leva à vista borrada, atrapalha a fala e prejudica a respiração. Há ainda o risco de ocorrer infecção no local da picada. Por isso, além de tomar o soro, o paciente deve ficar em observação para combater eventuais complicações. Os soros são produzidos pelo Instituto Butantan (SP), Instituto Vital Brazil (RJ), Fundação Ezequiel Dias (MG) e Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (PR). O Ministério da Saúde compra os medicamentos e os distribui para a rede de saúde. Aproximadamente 2.000 municípios recebem esse material. ESCORPIÕES Os acidentes com escorpiões ultrapassaram os casos de picadas de serpentes em 2004. "O número de serpentes era superior ao de escorpiões, mas houve uma inversão. O escorpião se adapta bem ao homem, ao lixo”, diz Rosany Bochner, coordenadora do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), ligado a Fiocruz, no Rio.

Edição EDIÇÃO 16959




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