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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 17 de Março de 2007, 12h:57

GUSTAVO OLIVEIRA

Uma Verdade Inconveniente

O norte-americano Al Gore sempre foi um ecologista fervoroso. Vice-presidente nos dois governos de Bill Clinton, tornou-se conhecido mundialmente devido à árdua disputa nas eleições americanas, nas quais apesar de ter recebido mais votos perdeu as eleições para George W. Bush. Desde então pouco se soube dele, até ressurgir com este "Uma Verdade Inconveniente". Trata-se de uma volta às origens, por assim dizer, já que o documentário – ganhador do Oscar - nada mais é do que a palestra que Al Gore costuma dar sobre a influência do ser humano no clima do planeta. Trata-se de um filme bastante didático, que mostra através de gráficos, fotos e estudos o problema do aquecimento global. Há a claríssima intenção de alertar o público sobre os problemas pelos quais o planeta passa, mas pode-se notar uma dedicação maior para que mais especificamente o público americano preste atenção nisto. O motivo o próprio filme diz: os Estados Unidos não assinaram o protocolo de Kyoto. Fazer com que a população saiba o porquê da importância do tratado e, conseqüentemente, fazê-la pressionar o governo americano é uma das intenções do filme. A outra, esta indireta mas ainda assim bastante explícita, é recolocar Al Gore no cenário político. Os 20 minutos finais são quase uma ovação ao político, faltando apenas o tradicional "vote em mim" dito pelos candidatos. Pode até ser que Al Gore não se candidate a nada nas próximas eleições americanas, mas o tom no qual o filme é finalizado deixa a forte impressão de que isto não ocorrerá. Outro ponto a se ressaltar é a insignificância que a América do Sul e a África têm neste filme. O aquecimento mundial, um problema global, é abordado sob várias formas e sempre citando o que aconteceria em vários pontos do planeta se a situação piorasse. Caso as calotas polares derretessem ou as correntes climáticas mudassem, por exemplo. Em momento algum é mostrado o que ocorreria em algum ponto destes dois continentes. A única vez em que a América do Sul é citada é de passagem, quando Al Gore menciona a existência de um furacão que atingiu o Brasil em 2004. Índia, China, Europa, Japão, Estados Unidos, México... todos estes países ou continentes são usados nos exemplos das possíveis conseqüências. América do Sul e África não, foram excluídos, como se não fizessem parte do planeta. Para quem já conhece a situação climática do planeta "Uma Verdade Inconveniente" não chega a surpreender, mas ainda assim é interessante pela quantidade de dados que oferece para amparar as deduções que apresenta. Aqui em Mato Grosso – Estado campeão de queimadas – este documentário deveria ser obrigatório em nossas escolas. Após assisti-lo, ninguém consegue ficar passível diante desta verdade, infelizmente, inconveninete. GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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