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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008, 20h:16

ONOFRE RIBEIRO

Tudo sempre passará (2)

Ainda a respeito do artigo de ontem, o primeiro de uma série de cinco onde pretendo abordar as principais nuances do 7° Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado em São Paulo segunda e terça-feira desta semana, este dá seguimento. Nos artigos próximos pretendo destrinchar os pontos mais sérios e mais graves que envolvem o agronegócio e, de modo geral, a economia brasileira, já que o agronegócio está ligado a todas as cadeias produtivas de outros setores. Mas a questão fundamental, gostaria de abordar hoje: as transformações da economia brasileira em relação à política, e a falta de lideranças do setor para lidarem com os novos tempos. Vamos aos fatos tratados nesse sentido no congresso. Tem-se que a economia do país vem crescendo em ritmo acelerado e tende a tomar os espaços da política, ocupados dentro da visão levantada pelo ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, de “quem não gosta de política será mandado por quem gosta”. O Congresso Nacional atual não representa mais as ansiedades da sociedade brasileira, porque não vota e não responde aos avanços sociais. No máximo, passa por perto, mas o foco mesmo do Congresso são os interesses individuais dos parlamentares, transformados em negociações pouco republicanas. Achou-se, também, que “desse Congresso que aí está”, não sairá qualquer reforma política, porque os congressistas sabem que numa eventual reforma, a maioria não será reeleita. Desse modo, o Congresso inerte, e o Poder Executivo com enorme poder de legislar no vazio parlamentar, o governo usa e abusa do seu poder de trancar o país, numa indiscutível reserva de poder político. Além do mais, uma enorme burocracia construída ao longo dos últimos 40 anos, tende a não abrir mão do seu poder de influir nas decisões políticas do governo. Agravou-se mais no tempo do PT no governo, porque o aparelhamento dos cargos teve intenção de preservação do poder político. Nesse quadro geral, a leitura é óbvia: ninguém vai abrir mão do poder em favor de uma ordem econômica. É bem claro nesse universo, que uma ordem econômica certamente racionalizará a administração pública, flexibilizará as intervenções casuísticas e contraditórias sobre temas da economia, etc, é fácil deduzir que os setores econômicos brasileiros não possuem líderes porque não construíram lideranças capazes de exercer esses papéis. O ex-ministro da Fazenda do governo FHC, Pedro Parente, é muito pessimista quando a essas transformações e não enxerga futuro visível para a política brasileira e não crê que o mundo econômico possa ter lideranças adequadas. Isso equivale dizer que o caos é quase certo no Brasil na relação do Estado com a sociedade produtora. Mas o ex-ministro Alysson Paulinelli talvez tenha sido quem melhor expressou a questão: “nós não temos lideranças políticas no Congresso Nacional, no governo e nem nos setores produtivos. E não temos porque não construímos. Logo, a culpa é exclusivamente nossa”. O assunto continua domingo. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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