ARTIGO
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010, 20h:19
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LORENZO FALCÃO
Subo nesse palco
Em 2008, de férias no início do ano, eu estava saindo de viagem com pais, filhos, irmãos e sobrinhos. Estava no Rio de Janeiro, em Botafogo onde moram meus pais e estávamos arrumando as malas numa van quando toca meu celular. Era o Pablo Capilé, grande articulador da cena musical cuiabana, para me informar que o Macaco Bong, banda instrumental de Cuiabá, estava na capa do Caderno B, a editoria de cultura do extinto JB. Corri até a banca mais próxima e comprei o jornal. Era verdade. Lá estavam Bruno Kayapy (guitarra), Ynaiã Benthroldo (bateria) e Ney Hugo (baixo) na capa do Caderno B, numa bela foto, com direito a chamada na capa do saudoso jornal carioca. Claro que fiquei feliz, os Bongs, como gosto de chamá-los, começaram em 2004 como um quarteto e em 2005 se tornaram um trio. Já faz não sei quanto tempo que deixaram de ser uma promessa da música regional, para se tornar uma realidade incontestável da sonoridade cuiabana (mato-grossense). Ao lado de outro banda prata da casa, a descolada Vanguart, hoje radicada em São Paulo, Macaco Bong representa a pujança do rock do cerrado, nestes tempos de globalização, quando praticamente todos os sons do mundo podem ser conferidos, graças a democratização que a internet propicia. Mas isso foi em 2008 e lá se vão quase três anos. Pouco depois dessa façanha, já em 2009, em março, a convite do Itaú Cultural, fui assistir a apresentação dos Bongs, então convidados por outro trio instrumental, o Pata de Elefante, gaúchos porretas. Um show, música de excelente qualidade para meus ouvidos. Mas sei que há um bocado de resistência ao som do Macaco Bong, que vem melhorando a cada ano. Acompanho com gosto a trajetória desse trio. Converso sempre com o baixista Ney, por telefone ou na trocas de mails. Uma característica dos três é a dedicação. Vivem estudando e se preparando, quando não estão em turnês. A última novidade em relação aos Bongs, tive o prazer de noticiar a poucos dias, numa discreta nota no Diário de Cuiabá, que eles participaram da abertura do Futurível, evento nacional focado na cultura digital, acompanhando Gilberto Gil. Na primeira hora folgada que tive em casa corri para o youtube, meu canal de televisão preferido nos últimos três anos, para checar essa performance. Está tudo lá. É só digitar Gilberto Gil e Macaco Bong. E também vale a pena checar os dez minutos do Pata de Elefante mais os Bongs. Recomendo com gosto. Gilberto Gil, vocês sabem, gosta de fazer aquela moagem toda pra tocar e cantar, mas não resta dúvidas de que é um dos grandes nomes da história da música popular brasileira. Seja pelas letras, pela musicalidade, pelo suingue, pela negritude etc, trata-se de um grande artista. É correto não gostar dele, por motivos particulares, mas daí a dizer que o cara é ruim, é outra história. Tocar com o cara, acompanhá-lo, repartir o palco com ele, não é pra qualquer um. É isso... Valeu Bruno, Ney e Ynaiã. Sempre eu aqui na torcida por vocês. *LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço ás terças-feiras