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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 21h:10

ENOCK CAVALCANTI

Sexo, comida e política

*** Meus amigos, meus inimigos: na mídia mato-grossense, a política é assunto cada vez mais manipulado. O Antõnio Lemos é que tem razão. Tanto que a gente é levado a um certo cinismo: política?! Sinceramente, talvez seja o caso de fazer como as grandes massas e não se interessar por ela. A política, afinal de contas, pelo que se vê nas câmaras, assembléias, tribunais de conta, governos de Estado, tribunais de Justiça, tribunais federais, presidência da República, editorias de política, etc, parece exigir certa dose de depravação das pessoas que almejam ser bem sucedidas em sua prática. Tanto que FHC nega, hoje, tudo que escrevera antes. E Jader Barbalho e ACM são duas faces de uma mesma moeda podre. E sobre a realidade de MT, o Antônio Lemos, segunda, na Gazeta, falou e disse! *** A vida é curta e, na verdade, há coisas mais interessantes com que se ocupar - e o povo, em sua histórica paciência, sabe disso. E se ocupa, por exemplo, com comida e com sexo. Eis aí duas questões que preocupam, verdadeiramente, o cidadão brasileiro todo o dia - e, eu quase dizia, durante todo o dia. *** Só que, já que estamos nessa, me permitam dar uma opinião nesse negócio e dizer que comida é muito melhor que o sexo. Ou vocês não concordam que comer é muito mais descomplicado do que fazer amor?! O que será que pensa disso o Antônio Lemos? Comer é, certamente, muito mais fácil do que escrever sobre política em Mato Grosso. O prazer da degustação é mais democrático embora ainda exista muita gente que não disponha de um prato de comida todo dia. Mas, no universo em que se movo, todos têm até tendência à adiposidade, tanta é a comida que temos à nossa disposição. *** Vejam: a qualquer momento você pode satisfazer seu apetite por comida - por sexo, não. Por discussão política, sem entraves, menos ainda, não é mesmo, Antônio Lemos?! Na hora de comer, não há necessidade de tomar precauções. Não existe o perigo da gravidez e a possibilidade de transmissão de doenças é bem menor. Comer comida é um ato silencioso, que não incomoda os vizinhos, requer pouco esforço físico e não nos cobra nenhum posicionamento moral. Eu como, e pronto. Como em casa, como na refrigerada lanchonete do shopping, como no anti-higiênico carrinho de lanches, na esquina. Os vizinhos que se danem. Que se danem também os políticos do governo, da oposição, do centro. Todos que fazem uma regra de sua vida a manipulação. *** Observem: na hora de comer, não existem problemas como impotência ou ejaculação precoce. Pode-se até comer a comida em público. Já fazer sexo...e política... ENOCK CAVALCANTI é jornalista, editor do DC Ilustrado e escreve às terças-feiras neste espaço.

Edição EDIÇÃO 16959




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