ARTIGO
Quarta-feira, 05 de Agosto de 2009, 21h:13
A
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SONIA FIORI
Sem alternativa
Há poucos dias me deparei com uma situação, no mínimo, constrangedora. Depois de um longo dia de trabalho, retornei para minha casa e em companhia de meu sobrinho de seis anos, descobri a extensão da violência em nossas vidas. Eram aproximadamente 20h, quando ele, resistindo em ir dormir, insistiu em me acompanhar como telespectadora da TV. Pois bem, não preciso nem perder meu tempo aqui para justificar que a telenovela, naquele horário, já não era própria para uma criança. Então resolvi partir para outros canais na busca de alguma programação que pudesse agradar meu querido e amado sobrinho. Adivinhe! Pulei de canal em canal e o que encontrei foram programas, vídeos ou filmes em que o foco principal estava em cenas de exposição demasiada da violência ou ainda coisas do tipo picante. Nesse momento, tentando encontrar uma alternativa logo percebi que o único meio de me sair bem da situação seria simplesmente desligar a TV. Tristemente percebi apenas naquele instante a péssima qualidade de nossas programações, de nossas produções e pior, de nossa inércia diante de um mundo cada vez mais agressivo em todos os sentidos. Continuo impressionada. E aí me pergunto? Qual o poder das programações de TV sobre nossas crianças e sobre nós mesmos? Estamos tão acostumados com o crescimento da falta de segurança que até consideramos natural a convivência, no dia-a-dia, com a presença da violência. Diante daquele cenário, ainda no momento da busca por uma programação condizente a uma criança, me senti envergonhada. Sem entender o porque da minha insistência na troca de canais, meu sobrinho me fitava com um olhar de surpresa misturada a ânsia de conseguir ter acesso a um programa de TV. Ainda me sinto envergonhada por tantas vezes que permiti a ele ter acesso a jogos de vídeo game onde a violência, mesmo em sua forma maquiada, estava ali para marcar um gol contra as coisas boas da vida como as mais singelas brincadeiras. E fico aqui pensando quantas crianças e adolescentes são todos os dias afetados pela exposição demasiada, insistente e crescente dos subterfúgios da violência. E depois nos perguntamos, como se não tivéssemos uma pequena parcela de contribuição, do porque da violência, da falta de segurança e das atrocidades que já estamos acostumados a acompanhar diariamente na mídia... Temos primeiro de fazer a nossa parte, para poder cobrar das autoridades uma mudança real nesse triste cenário. SÔNIA FIORI é jornalista