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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 13 de Fevereiro de 2010, 09h:11

PAULO ZAVIASKY

Sanduiche de porcarias

Muitos imaginam que os políticos do passado eram santos se comparados com a anarquia de hoje em que a novela “Algemas das madrugadas” atinge seu clímax neste ano eleitoral e da copa do mundo no futebol. Na verdade, o Brasil virou um sanduiche de porcarias onde o passado e o presente de impunidades é o recheio. As tampas desse pão de hambúrguer indigesto estão em nosso Estado limitados por dois extraordinários governos: o de Frederico Campos e o do Blairo Maggi. O recheio é uma mistura de tentativa de homicídio doloso contra a cidadania de nosso povo. O passado mais passado daqui, poucos sabem, até porque a educação de nosso povo mato-grossense foi banida e deixada de lado. Mas, era uma época dos velhos “coronéis” e seus submissos empregados que se especializaram em não construírem cadeias nas cidades de Mato Grosso. Todos os problemas eram resolvidos na hora, bastando apenas uma corda e um galho forte de qualquer árvore. Além dos enforcamentos sumários no Campo d’Ourique, o “Campo da Forca”, centro geodésico da América do Sul onde hoje maravilhosamente está situada por destino sábio, a sinistra e esotérica câmara municipal de Cuiabá de onde tiraram e esconderam para sempre o nome daquele nosocômio do ilustre cuiabano Filinto Müller e colocaram outro nome nele, o de Paschoal Moreyra Cabral, havia os tiros das madrugadas que silenciavam para sempre aqueles que ousavam mostrar a língua aos seus donos. Depois, Mato Grosso civilizou-se, construíram cadeias, roubavam com luvas, matavam também, mas sempre pediam perdão a Deus e se confessavam com os padres para o perdão divino e ainda encomendavam a alma das vítimas ao reino dos Céus. O mundo mato-grossense começou a melhorar com Ponce de Arruda, Fernando Corrêa e Pedro Pedrossian este que teve um jogo de cintura impressionante por ser um engenheiro civil eleito no meio da revolução militar mais dura de nossa história. Há quem prefira, e eu respeito isso, o termo “movimento de 64”. Depois disso tudo, o tobogã da democracia e da cidadania de nosso povo proporcionou todos esses acontecimentos que deixam a pátria boquiaberta, numa descida com a velocidade da luz e das algemas. Antigamente, cidadãos honrados e maduros intelectual, moral e politicamente eram expostos às fraturas de nossa sociedade. Depois de Frederico Campos, a aventura de crianças, aventureiros de estilingues, saltitantes impúberes, gazeteiros das aulas de nossa história de verdade, aprendizes de calças curtas, voyeurs dos banheiros das meninas, marqueteiros de si próprios, se travestiram de políticos e criaram até uma “constituição de 88” que representa uma das maiores vergonhas da História do Brasil, onde, por serem crianças ainda, criaram a constituição dos bandidos menores de idade. Entre outras aberrações infantis e dolorosas. Hoje, o Brasil não tem futuro. Todo mundo pensando em deixar um mundo melhor aos nossos filhos e nos esquecemos de pensar que tipo de filhos vamos deixar para o mundo de amanhã. O pão de sanduiche entre o governador Frederico Campos que tantos milagres fez numa época mais difícil para nós naquele Mato Grosso recém-dividido e surpreso pelo sucesso e seriedade de um governador como ele que nunca foi “coronel”, conde, comendador ou barão e o atual governador Blairo Maggi, apesar da distância que nos separa, cuja integridade moral e sua competência que fez Cuiabá brilhar de novo e admirá-lo por não prometer nada e fazer quase tudo por MT e aos cuiabanos que o adoram, nos anima a tirar todo o recheio desse hambúrguer da gurizada sapeca que quase destruiu o mundo e jogar, apenas tais recheios, no lixo da história daqui. Porém, em quem vamos votar? Nos rinocerontes senis, dinossauros do Abrigo dos Anciões que tentam voltar de muletas, os mesmos de sempre?... Nas crianças que cresceram e estão sendo algemadas nas madrugadas de nosso BBB-10 policiais, um a um, pela PF? Ou nos desconhecidos calouros da irmandade religiosa “Futuro Incerto e Não Sabido”? * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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