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ARTIGO
Terça-feira, 25 de Março de 2014, 20h:51

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Quem tem medo de ser machista?

As palavras em qualquer língua vão com o tempo adquirindo significados diferentes, às vezes até antagônicos. “Bizarro” tanto pode ser gentil e nobre, como esquisito e extravagante. O mesmo adjetivo pode ser ofensivo ou elogioso, depende do contexto. O dicionário diz que malicioso é quem tem malícia, mas o filósofo Matias Aires ensina que quem tem malícia descobre o mal para evitá-lo e o malicioso o antevê para exercê-lo. O indivíduo malicioso é um mau-caráter e o que tem malícia, virtuoso e esperto. Machista é ofensivo. Feminista elogioso. O primeiro, conforme o entendimento das mulheres refere-se aos homens que oprimem as mulheres. O segundo diz respeito às mulheres, segunda as mesmas, que se defendem da opressão. Por muitos anos as feministas mais exaltadas nos xingavam de machistas acrescentando diversos outros adjetivos que reforçavam o primeiro. Os tempos mudaram. As mulheres foram além do que queriam, assumindo responsabilidades e obrigações que não estavam presentes nas primeiras reivindicações de igualdade. Parece que hoje elas não gostam mais do termo feminista e não tem nenhuma razão para chamar os homens de machistas. Com o fim dessa geração de “machistas” e a ascensão das “feministas”, está na hora de devolvermos aos termos os significados lógicos: feministas serão as que defendem as fêmeas, e machistas, os machos. Isto vai demorar algum tempo e nós os “machos” deveremos gastar o latim para popularizar essas palavras até que se dispam completamente das conotações de bom e mau que hoje carregam. Claro que quando conseguirmos essa revolução semântica estaremos (ou já estamos) todos dominados, porque a vida mostra que elas tem um enorme poder de recuperação. Foram criadas para ser “ajudadoras do homem”, como ensina a bíblia, mas não se conformaram com esse segundo lugar. Em uma fantástica corrida de recuperação, pois largaram muito atrás, já alcançaram o pelotão dos homens. Passar é questão de segundos. Aqui entra o meu plano para escaparmos da opressão. Vamos transformar o termo “feminista” em um xingamento, como elas fizeram conosco usando o “machista”. Cada um deve assumir o compromisso de xingar de “feminista” a companheira toda vez que ela abusar da dominação. Assim quando, tomando uma cervejinha no sofá, ela mandá-lo ao mercado comprar um tira-gosto, fale entre dentes “sua feminista”. Se, lá do computador ela gritar: esqueceu da hora da mamadeira do neném? Não se intimide e retruque com firmeza “opressora, feminista”. Pode varrer a casa e lavar a louça, mas não o faça sem protesto: “feminista, chauvinista, marvada”(sic). Podem ter certeza que vai dar certo, só precisa de coragem. Coisa que sobra aos homens. Eu como sei que “brincadeira de macaco é perto do pau” vou esperar um pouco até os mais destemidos experimentarem. Enquanto isso vou fazendo as tarefas domésticas e comprando tira-gosto, sem reclamação. *RENATO DE PAIVA PEREIRA - escritor e empresário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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