Sem ambicionar originalidade, tenho restrições a esse modelo político que amplia o tamanho e a atuação do estado. Vejo com desconfiança a desenvoltura dos políticos posando de benfeitores dos humildes, pais dos pobres e distribuidores de benesses; prometendo creches, transporte gratuito, postos de saúde.... Os cidadãos mais humildes acreditam nas promessas sem preocuparem com a origem do dinheiro que vai custear tanta coisa. Não se dão conta que o estado não produz um centavo sequer, apenas arrecada dos contribuintes através de impostos, presentes em todas as transações comerciais. Pois é esse dinheiro recolhido de todos nós, diminuído das despesas e desvios, que vai custear as melhorias que desejam. Dito de outra forma, uma pequena parte do dinheiro arrecadado do povo, através de impostos volta para os bairros na forma de benefícios. Uma pequena parte, é bom repetir. Como as demandas sociais são enormes há uma recorrente necessidade de aumento do valor dos impostos para bancar mais creches, postos de saúde, transporte gratuito, etc., etc. Os políticos adoram esse modelo, pois se destacam em seus bairros como viabilizadores das melhorias que o povo reclama. O poder público, assumindo a obrigação que deveria ser das pessoas, vai dia a adia convencendo os mais carentes de que o estado é responsável por quase tudo na vida deles. É uma situação perversa: os contribuintes pagam muito mais do que recebem em contrapartida, mas estão felizes. O caso das creches é notório. Não sei quanto a prefeitura gasta para manutenção de cada criança, mas supondo que seja 1000 reais por mês, com certeza tem que arrecadar mais de dois mil para fazer frente ao custo do processo burocrático, da manutenção, da má gestão do dinheiro e dos desvios. Com essa cultura de passar para o poder público a responsabilidade pelo cuidado dos filhos anula-se o comportamento antes rotineiro na população das avós, irmãs, sogras e até vizinhas ajudarem na criação das crianças, quando a mãe não pode ou não tem tempo de fazê-lo. Hoje é muito mais cômodo deixar o filho na creche onde é alimentado e mantido sem nenhum custo, do que contar com a ajuda de um familiar no cuidado das crianças. Creio que algumas mães não têm mesmo com quem deixar os filhos durante o trabalho, mas muitos, talvez a maioria, não precisa desse benefício da prefeitura. Para separar uma (a que precisa) da outra (a que não precisa), a ideia seria cobrar uma taxa pela manutenção do menor na creche. Muitas certamente optarão por economizar esse valor deixando a criança com alguém da família. Procedimento que reforça os laços familiares. Na saúde acontece algo parecido. Como tudo é aparentemente gratuito, não há nenhum comedimento no uso. Basta uma gripezinha qualquer para buscar o pronto socorro de onde saem com uma receita de analgésico, requisição para diversos exames e um atestado para faltar no serviço. Velhos então, como não tem o que fazer e o transporte é gratuito vivem nos consultórios. Desculpas não nos faltam (aqui me incluo), porque dores e mal estares quase sempre os temos das mais variadas origens. Certamente se cobrasse uma pequena parte do custo dos procedimentos médicos inibiria muito as consultas desnecessárias. Essa população infantilizada, dependente dos favores dos políticos parece que não quer amadurecer e o poder público acha ótimo que não queiram. Assim o estado vai crescendo sempre, em tamanho e em ineficiência. O melhor seria diminuir os impostos e deixar cada um cuidar de si mesmo. Somente aqueles que não puderem fazê-lo receberiam os cuidados do Estado. * RENATO DE PAIVA PEREIRA, empresário
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