NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:35

GUSTAVO OLIVEIRA

Piazzolla em Cuiabá

Quase sempre as composições originais superam suas versões, mas admito que fico estimulado quando vejo uma canção ser repaginada, reinventada, ressuscitada. No sábado passado fui ao Sesc Arsenal ouvir a Orquestra de Câmara de Mato Grosso e saí extasiado com a versão que fizeram para ‘Adios Nonino’, do argentino Astor Pantaleon Piazzolla. O original foi escrito em 1959, quando Piazzolla perdeu seu pai Vicente. A força do original está nos solos do seu bandônion, que na música é a síntese do trágico na vida do argentino. Na versão de nossa orquestra de câmara, as cordas são conduzidas de forma competente pelo jovem maestro Leandro Carvalho. O ponto alto da interpretação é o solo de viola da sueca Nina Kopparhed, que supera em beleza os solos de violino e violoncelo. O concerto de sábado passado foi uma viagem por composições da América do Sul. Começou com o Brasil de Heitor Villa-Lobos e sua Bachianas número 9 – não tão famosa como a 2ª e 5ª, o que ajudou na sensação de que o Brasil foi goleado na comparação com as quatro composições de Piazzolla, interpretadas logo em seguida. É impossível comparar compositores tão distintos, como o erudito Villa-Lobos e o popular Piazzolla. Seria mais fácil, para nós, brasileiros, se o programa fosse um embate entre Piazzolla e Tom Jobim, os dois maiores compositores da Argentina e do Brasil, respectivamente, na segunda metade do século XX. Como minha casa é metade argentina e metade brasileira, saí da sala com a sensação que o lado argentino estava mais feliz, com ar de ter tido uma noite vencedora. Além de ‘Adios Nonino’, a orquestra tocou de Piazzolla ‘La muerte del Angel’, ‘Oblivion’ – do filme Henrique IV com Sophia Loren e Marcello Mastroianni – e ‘Lo que vendra’, que foi repetida no bis. No programa ainda havia obras de compositores do Paraguai, Equador e Venezuela. Mais importante do que as comparações entre Brasil e Argentina, o que mais me marcou naquela noite foi a felicidade de poder contar em nossa cidade com uma orquestra de câmara que ajuda a enriquecer a nossa vida cultural. O trabalho desta orquestra pública, de difundir e resgatar a música em nosso estado, é algo louvável. Para quem ainda não conhece a nossa orquestra de câmara, hoje ela volta a se apresentar às 20 horas no Sesc Arsenal, com peças de Leos Janacek, Henry Purcell, Ottorino Resphighi, Aron Copland e Claudio Santoro. Será uma ótima oportunidade para apreciar os violinos, violas, celos, contrabaixo e a nossa viola-de-cocho. GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL