Nesta série de três artigos sobre política, pareceu-me que três municípios serão importantes para o cenário político de 2010. O primeiro, Cuiabá, o segundo Várzea Grande e o terceiro, Rondonópolis. Cada um tem um peso e uma importância. Nos três, os resultados serão importantes para os personagens envolvidos. Vamos um a um para se compreender o que eles significarão para 2010. Se Wilson Santos se eleger prefeito de Cuiabá, será candidato certo a governador. Se não, terá destino incerto, mas ficará com ótimo cacife eleitoral. Se Mauro Mendes se eleger, estará consagrando o governador Blairo Maggi na capital e no seu próprio projeto para 2010. Espera-se que seja candidato a senador. Se Mauro não se eleger, sairá com cacife eleitoral para 2010, em condições de concorrer a um mandato parlamentar ou ao próprio executivo estadual na visão empresarial de poder. Aqui caminha paralelo o deputado estadual José Riva, do PP, que patrocina em primeiro turno a candidatura Walter Rabello, que ele bem sabe será um grande trunfo num segundo turno, quando os apoios valerão ouro, tanto em dinheiro quanto em negociações políticas. Riva sonha com uma candidatura ao Senado e, para isso, tem dois trunfos: um, Walter Rabello como elemento para negociar no segundo turno, e outro, se o ex-conselheiro Júlio Campos se eleger em Várzea Grande, ele selará o apoio mútuo entre ele e o senador Jaime Campos que desejará ser governador. Do contrário, dificilmente sairá da Assembléia Legislativa num quinto mandato. Já em Rondonópolis o governador Blairo Maggi precisa eleger o prefeito Adilton Sacchetti, para garantir o prestígio necessário à disputa de senador na sua base política. Tudo isso, dito dessa maneira esquemática, parece simples. Mas não é, porque no caminho existem variáveis muito importantes que passam pelas eleições atuais. O deputado José Riva está no meio de um imenso tiroteio jurídico que visa defenestrá-lo do processo político e evitar lá na frente a sua aproximação com Jaime Campos. Sem ele Jaime não terá futuro na sua candidatura a governador. De repente, Walter Rabello ganha um bom espaço no primeiro turno, e muda o rumo da eleição tanto de Wilson Santos quanto de Mauro Mendes. Se isso acontecer, Riva ganha força para se livrar das encrencas jurídicas e viabiliza o seu próprio projeto, com Jaime ou sem Jaime. Na periferia desses personagens corre por fora Luiz Antonio Pagot como um possível candidato a governador na coligação do governador Blairo Maggi. Por fim, a verdade é que ninguém conhece ainda o comportamento do eleitor que vai votar nas eleições de 2008. Ele está indignado, espera uma atenção que não tem recebido e enxerga corrupção em cada passo do poder público. Ninguém compreende ainda se ele continuará passivo diante de tudo isso, ou se mostrará a sua indignação de uma forma ainda desconhecida. O fato é que o poder político está em muito poucas mãos que estão dispersas, sem projeto de partido político e sem projeto de gestão para já e para 2010. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
[email protected]