ARTIGO
Sexta-feira, 09 de Maio de 2008, 21h:43
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DANA CAMPOS
Orelhão verde limão...
O que leva uma pessoa, ou melhor, duas pessoas, a cometerem o furto de um orelhão público, levando-o para casa? É isso mesmo, um orelhão! Foi em Santo André, município de São Paulo, onde dois irmãos, um de 26 e outro de 27 anos, levaram um aparelho desses para casa. Eles encontraram um orelhão público encostado ao lado de um poste, em frente a um bar e resolveram se apropriar dele. O que será que eles iriam fazer com o telefone? Talvez o instalassem na sala de visita. E assim, quando um vizinho ou amigo fosse até a casa deles e de repente pedisse para usar um telefone, eles não precisariam emprestar o residencial, pois haveria ali um telefone público a disposição. Neste caso, eles teriam que oferecer também o cartão. Não o corporativo, mas sim o telefônico. Quem sabe era isso, já que um era comerciante e com as altas nos preços dos alimentos, do combustível, do pão francês etc. o negócio não deveria andar tão bem assim e o outro era operador de máquina que não deve receber lá essas coisas pelo trabalho. Assim, com a renda do novo empreendimento, eles poderiam mudar de um mensalinho para um mensalão. Mas vai saber realmente o que é que os dois pretendiam fazer com aquele telefone, que por sinal era bem discreto... Sabe aquele verde limão, igualzinho ao mais recente uniforme do Palmeiras? Esse mesmo! É quase imperceptível! Será que eles não sabiam da conseqüência frustrada que uma brincadeira dessas poderia causar? Bem, possivelmente não sabiam, pois quando a viatura da polícia local percebeu aquele objeto, até então não identificado dentro do carro dos irmãos, logo os militares fizeram a abordagem. E os rapazes ficaram apavorados. Após a ação dos policiais, os dois foram encaminhados à delegacia mais próxima. Chegando lá, eles foram revistados e nada de ilegal, além do orelhão, foi encontrado em posse dos irmãos. Enquanto aguardavam para prestar depoimento, os dois se debulharam em lágrimas. Agora resta saber o que vai acontecer com os garotos de Santo André. Depois dessa, o mais provável é que cumpram pena alternativa. Quem sabe a Justiça os condene à prestação de serviços urbanos e mande-os consertar e limpar os orelhões da cidade, que, como em muitas outras do Brasil, são depredados por uma grande parcela da população. DANA CAMPOS é jornalista