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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 03 de Março de 2012, 14h:47

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

No colo de Silval

O problema é antigo e conhecido, mas nunca antes tinha sido escancarado em números, conforme fez relatório divulgado recentemente pelo governo federal, mostrando, em detalhes, e por ordem de classificação, a tragédia da saúde pública brasileira. Nessa radiografia do setor, Mato Grosso está praticamente moribundo e, dentre os 27 estados brasileiros, o Estado aparece em 21º lugar entre os piores classificados em termos de oferta de saúde pública à sua população. Literalmente, uma tragédia! Além de se tratar de mais uma bomba, dentre as muitas que têm sido detonadas por estas bandas, que explodiu no colo do governador Silval Barbosa, e desta feita de conteúdo mais corrosivo, sob o ponto de vista dos questionamentos que o fato pode suscitar, quando se sabe que esse caos no setor contrasta com outros números mais alvissareiros – tão decantados por este Brasil afora – que colocam Mato Grosso na liderança nacional do agronegócio, tachado como o maior produtor de soja e algodão do país, o segundo na produção de milho e detentor do maior rebanho nacional de gado de corte. A contradição entre esses indicadores fica evidente como a luz do sol: a quem interessa, ou melhor, para onde estão indo, os frutos dessa riqueza?! Porém, antes que nos debrucemos sobre esse dilema, pois que é assunto complexo e de análise demorada, que obviamente ocuparia mais do que o espaço da coluna – talvez o jornal inteiro -, cabe salientar, numa rápida avaliação, que o caos da saúde pública brasileira, em cujo contexto Mato Grosso está entre os estados mais “enfermos”, está diretamente associado ao sucateamento deliberado desse setor público vital, em benefício da política de privatização de áreas governamentais estratégicas, que como um câncer avassalador, nos últimos anos, vem avançando sobre o tecido das estruturas públicas voltadas ao atendimento básico das necessidades humanas, em detrimento da população que se lasca morrendo à míngua nas filas do SUS. Este, salvo melhor juízo, é o ponto central da questão: acabar com a saúde pública para entregá-la, a exemplo do que acontece com outros setores também essenciais do serviço público que estão sendo transferidos, pelo Brasil afora, para o controle de empresas particulares e grupos cada vez mais vorazes, nem sempre especializados ou detentores de reconhecida tecnologia sobre a área que vão explorar. O que importa é o lucro. Quanto mais garantido e rendoso, melhor! Diante desse quadro vergonhoso, a priori, não se pode isentar o governador Silval Barbosa ou os atuais prefeitos das cidades mato-grossenses, enquanto governantes, de culpa pela situação de caos em que se encontra a saúde pública de Mato Grosso. Da mesma forma, por uma questão de justiça, não se pode transformar o governador e os gestores municipais em “bodes expiatórios”, como se fossem os únicos responsáveis por essa tragédia, porque a mesma faz parte de um processo histórico perverso e que vem de décadas de descaso. Portanto, antes que se buscar entre os atuais chefes de Executivo, do Estado ou municípios, culpados por essa desgraça social, o que seria fácil e cômodo, o importante é cobrar deles um grande mutirão, em caráter emergencial, pra “ontem!”, envolvendo todos os poderes, para retirar Mato Grosso da maca estendida, vergonhosamente, nos corredores da saúde pública brasileira! Mário Marques de Almeida é jornalista. www.paginaunica.com.br. E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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