ARTIGO
Segunda-feira, 04 de Março de 2013, 21h:07
A
A
LORENZO FALCÃO
Mercado fonográfico
A indústria musical tem lá suas tramas e seus dramas. A internet pintou com pinta que veio pra ficar lá se vão uns vinte anos ou quase isso. Chegou, baixou e saravou. Num raciocínio simplório, o que comercializado de um jeito específico, precisou se adaptar aos novos tempos para gerar receitas. Ou então correr o risco de submeter às piratarias tão comuns e até... democráticas. (Com o perdão pela falha sócio/ideológica). Longe de mim querer sugerir qualquer conhecimento aprofundado nessas questões de mercado. Meu lance é apreciar a música e curtir bastante esse tal hálito das estátuas, conforme preconizou Rainer Maria Rilke, aquele sujeito que nasceu lá em Praga. E escrevo hoje um pouquinho sobre duas notícias fresquinhas que dizem respeito ao mercado fonográfico nesse mundão desemporteirado... Duas notícias entrelaçadas que apontam para direções desafinadas do mercado fonográfico mundial e do brasileiro. O fechamento da plataforma Trama Virtual, braço forte da divulgação dos sons independentes no Brasil; e uma alta do mercado musical planetário, a primeira, desde 1999. Tudo bem, o crescimento é pequeno, apenas 0,3%, considerando CDs, discos, cassetes e o formato online. Segundo dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a receita em 2012 chegou a US$ 16,5 bilhões, considerando que desse total, US$ 5,6 bilhões, foram do formato digital. A difusão dos serviços de música em streaming tem parte significativa nisso. O faturamento advindo do consumo digital já representa 34% do faturamento total. O crescimento do mercado fonográfico brasileiro foi de 5,13% em 2012, gerando R$ 398,2 milhões, impulsionado pela música online, que teve aumento de 83,22%, passando de R$ 60,8 milhões em 2011 para R$ 111,4 milhões em 2012. As informações são da Associação Brasileira de Produtores de Discos. Na venda de músicas avulsas no Brasil, um crescimento de 691%, em relação a 2012. Nessa o iTunes tem parte. Ai Se Eu Te Pego, de Michel Teló, ficou em sexto lugar no mundo, com 7,2 milhões de downloads. Já em relação a Trama Virtual, seu fechamento é uma notícia triste. A plataforma era de fundamental importância para a divulgação online de bandas independentes. A homepage da Trama, sem maiores explicações, informou que suas atividades terão um ponto final em 31 de março. A plataforma foi criada na década anterior, meio de beira nas notícias que mencionavam transformações radicais no mercado, por conta da internet e seus desdobramentos. A Trama Virtual, empreendida por João Marcelo Bôscolli, apostou inicialmente nos downloads gratuitos, depois rolaram os remunerados. Fecha as portas, porém, acumulou um acervo de 205.512 músicas e 78.675 artistas cadastrados. João Marcelo, só pra efeito de registro, tem em seu DNA a música. Seu pai, Ronaldo Bôscolli, era sobrinho bisneto de Chiquinha Gonzaga e foi namorado de Nara Leão e da cantora Maysa Monjardim. Sua mãe, nada mais nada menos do que Elis Regina. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário e do site turannusmelancholicus.com.br e escreve neste espaço às terças-feiras