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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010, 19h:04

JEAN CAMPOS

Hilário eleitoral

A triste política brasileira também revela o seu lado cômico. Dia desses, estava eu, andando em um arrastão, realizado pelo comitê de um dos candidatos a governador... O sol escaldante das quatro da tarde clareava o rosto de umas três centenas de correligionários que tomaram uma avenida de Cuiabá. Juntos, cantavam, alegremente, o jingle do candidato. “Quero continuar... Chega de prosa... Do outro lado é desespero...”, dizia o coro, sob uma temperatura de quase 40º e umidade relativa do ar abaixo dos 20%. Uma cena digna de montagem cinematográfica se construiu. Barulho de fogos de artifício estavam em perfeita harmonia com chuva de santinhos, até que surgiram os gritos. Desespero, lágrimas nos olhos de alguns e sensação de impotência estampada na face de outra dezena. Tudo virou correria, gritaria. E a maioria sequer sabia o porquê de tal situação. “Tem mais duas meninas ‘regaçadas’ lá pro meio. A gente ainda não sabe se foi tiro ou pitt Bull”, disse uma das garotas que saiu do meio da multidão toda ralada, com os joelhos sangrando. “As pessoas pisaram em mim”, reforçou. Ao seu lado, outra cabo eleitoral, apoiada pelos braços por dois companheiros, também reclamava. “Tenho certeza que foi alguém que não vota no meu candidato que soltou o cachorro na gente”, denunciou. Questionada se chegou a ver qual era o animal, ela respondeu: “Não vi, o pessoal que gritou e mandou correr. Mas, eu corri e tropecei. Pisaram em mim”, explicou, mostrando os hematomas. Há quem diga que até a mulher do candidato a governador partiu em disparada diante do desespero causado pelo fenômeno de massa. “Vi dona fulana correndo e entrando numa caminhonete. Ela estava desesperada”, disse outro popular. Eu não a vi. O evento político acabou na policlínica do bairro para pelo menos três militantes. Depois do susto, a maioria seguiu em frente sem saber o que aconteceu. Eu e alguns outros que avistaram toda a movimentação de um canto da rua vimos o responsável por todo aquele alvoroço: um cãozinho vira-lata. Pelo sorriso do “pangaré”, que fugiu de uma casa e disparou contra o arrastão, aquele deveria ser um dos melhores dias de sua vida. Pena que foi mal interpretado. * JEAN CAMPOS é repórter

Edição EDIÇÃO 16959




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