ARTIGO
Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011, 20h:11
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JOANICE DE DEUS
Eles sempre voltam
A briga entre a Prefeitura de Cuiabá e os vendedores ambulantes ganhou mais um capítulo especial na semana passada. Atendendo decisão do juiz da Vara Especializada do Meio Ambiente, José Zuquim, a administração municipal retirou os camelôs que ocupavam as ruas e praças da região central, especialmente, os que instalavam suas barracas na histórica, suja e abandonada Praça Ipiranga. O problema se arrasta há décadas. Por diversas vezes, a Praça Ipiranga já foi o local alvo de repressão anti-ambulante. Eles driblam a lei e voltam logo após o fim da intensificação da fiscalização. Há anos, os comerciantes exigem do poder municipal ação que coibisse a existência dos ambulantes sob a argumentação de que prejudicam as vendas ao oferecerem produtos similares aos das lojas com preços bem mais acessíveis. Os ambulantes que vendem todo tipo de produto como roupas, calçados, perfumes, eletrônicos, além dos baratíssimos CDs e DVDs piratas, competem diretamente com os lojistas, que pagam impostos. A concorrência é desigual para todo o comércio. Isso sem falar que os lojistas têm a porta de seus estabelecimentos escondidas pelas barracas, que atrapalham a entrada dos clientes. Já a população reclama que fica praticamente sem espaço para andar nas calçadas e que as barracas montadas nas ruas prejudicam o trânsito. Em sua decisão, Zuquim argumentou que, por causa da omissão do poder público municipal, a população vem enfrentando transtornos gerados por essa ocupação irregular há muito tempo. E que essa situação provoca danos irreparáveis ao meio ambiente, aos consumidores, aos bens e patrimônio históricos, à paisagem e ao turismo. Porém, a própria sociedade reconhece o comércio irregular como uma atividade consolidada e de importância social. Afinal, geralmente é a única forma de sustento para muitas famílias. Que atire a primeira pedra quem nunca parou em uma barraquinha de camelô e não comprou qualquer tipo de produto. Na capital, os cerca de 400 camelôs expulsos tentam encontrar outro local para montar as suas barracas e garantir o pão de cada dia. O que falta é organização. Ao mesmo tempo em que se discute um lugar adequado para instalar os vendedores ambulantes expulsos é necessário garantir uma fiscalização constante para impedir que novos camelôs voltem a ocupar os espaços públicos no Centro da cidade assim como aconteceu após a grande operação de retirada de camelôs do Centro de Cuiabá, que ocorreu no dia 21 de abril de 1995, há 16 anos. Na época, os camelôs foram transferidos para o Shopping Popular. As calçadas e praças ficaram livres para o uso de toda população. Não demorou muito outros vendedores ambulantes voltaram a ocupar os espaços públicos destinados a toda população. Eles sempre voltam com a mesma rapidez com que desaparece a fiscalização. JOANICE DE DEUS é repórter