ARTIGO
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2012, 20h:48
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LORENZO FALCÃO
Dureza...
James Bond morreu... Morreu pra você. Você que é uma pessoa ingrata. Porque vi, tudo bem que foi na televisão, mas vi e ouvi, de sua própria boca que um dia a terra há de comer, que seu hobby é ressuscitar. Contracenando com o inglês galante e elegante, o espanhol mutante: Javier Bardem, que agora me aparece de loiro platinado. Isso é pra quem pode, não pra quem quer. E no último domingo o 2º turno das eleições pra prefeito em Cuiabá, em mais um monte de cidades. Imagino o sofrimento durante a apuração. Pra maioria das pessoas é um caso que acontece de vez em quando. Eu não sofro com isso. Torço só um pouquinho. Mas, sofro semanalmente, todas às vezes que o Fluminense joga. E não posso reclamar desse meu time e das emoções que tem me proporcionado. No dia em que estiver tirando meu time de campo, aqui na terra, certamente, hei de me lembrar do Roberto Carlos com aquele seu versinho magistralmente medíocre: "o importante as emoções eu vivi". Em parte, graças ao futebol. Na outra parte, por conta de muitas e muitas coisas que confessarei, um dia, que vivi. Quem sabe da minha vida sou eu. Um dia perco a memória e no outro a agenda. Mas, perder a pose...? Isso nunca. Reconsideremos, no entanto: nem todo mundo que não perde a pose, morre duro. Não estou morrendo... Tudo bem que posso estar um pouco duro. Mas estou posudo. Há meses, talvez mais de ano, um filósofo moderno, Slavoj Zizek, numa entrevista, disse que a religião, as ideologias e os governos perderam totalmente a credibilidade. Hoje, segundo o cara, só a força do capital - a grana mesmo, é que está por cima. Noutras palavras, o dinheiro é o deus deste mundo contemporâneo. Penso comigo mesmo: agora sim, parece que estou numa pior... faz horas que não acredito em religiões e nem em governos... e o dinheiro, não tenho. Então, segundo minha ideologia (ainda devo ter alguma), deus teria me abandonado. Mas, não importa. Agora tenho meu blog que acaba de virar site www.tyrannusmelancholicus.com.br), e tudo vai mudar. Ontem, por exemplo, até ameaçou chover aqui em casa. Não choveu, mas bateu um vento. E o vento levou minha imaginação para além da estratosfera. LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras