ARTIGO
Sexta-feira, 06 de Março de 2009, 20h:22
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VICENTE VUOLO
Cuiabá é a melhor
No próximo dia 20 de março, o Comitê Executivo da FIFA anunciará as 12 cidades-sede para a Copa do Mundo de 2014. Cuiabá e Campo Grande disputam uma das vagas. Qual será o critério para a escolha? Será muito abrangente ou simplesmente político? Não sabemos ao certo, Mas temos certeza de que por várias razões Cuiabá apresenta-se como a favorita da região pantaneira. A mais forte dessas razões, porém, está ligada a sua rica história e grande diversidade cultural. Ao longo de quase 300 anos de vida, a nossa Cidade Verde conviveu com o ciclo do ouro, os bandeirantes, os imigrantes europeus, os índios, negros e brancos que, de todas as formas, produziram trabalho e geraram riquezas. E foi graças à força dos nossos antepassados que podemos afirmar: Cuiabá, hoje, é uma grande metrópole brasileira. De acordo com os dirigentes europeus, a vontade popular e o calor humano são fatores determinantes para o sucesso da Copa. E o cuiabano é mais vibrante. É uma virtude. Outra virtude, talvez a maior, é ser o cuiabano extremamente acolhedor. Os analistas do Velho continente, apaixonados pela arte, vêm a cultura como lugar de inovação e expressão da criatividade de um povo. A atividade cultural apresenta-se como parte constitutiva do novo cenário de desenvolvimento econômico socialmente justo e sustentável. Diferentemente de nossa concorrente, Cuiabá é uma cidade histórica, com raízes profundas, cheia de alegria e com enorme vocação para festas. É muito provável que os responsáveis pelo julgamento final tenham conhecido ou ouvido falar em nossas festas religiosas de São Benedito, São Gonçalo e Divino Espírito Santo. Na já internacionalmente conhecida viola de cocho, que está abrindo espaço para a música cuiabana. Na comida típica, a mojica de pintado e pacu com farofa de banana, e, na área da dança, o siriri e o cururu. Isto tudo revela o espírito essencialmente festivo e hospitaleiro de nosso povo. A paixão pelo futebol é uma extensão dessa cultura, enraizada muito antes da inauguração do estádio Dutrinha, pelo então Presidente, o cuiabano Eurico Gaspar Dutra. Aqui é o berço do futebol profissional mato-grossense. E foi este clima festivo que os dirigentes da FIFA encontraram quando pisaram em solo cuiabano. A hospitalidade ímpar, o sabor da culinária tradicional, o ritmo do rasqueado cuiabano fizeram a distinção da nossa cidade. O nosso povo quer a Copa. E Cuiabá, com certeza, merece os investimentos anunciados. As obras de infra-estrutura previstas, como o metrô de superfície, saneamento básico, melhoria hospitalar e a chegada da ferrovia, são providências que ocorrerão independente da Copa. O que precisamos despertar de vez é a nossa própria consciência crítica de que Cuiabá tem um patrimônio histórico e uma riqueza de diversidade cultural que poucos lugares possuem. O nosso ecossistema é incontestavelmente mais rico e, o melhor, o nosso povo, a gente cuiabana e mato-grossense formada pelos originários e pelos migrantes aprenderam o melhor do cuiabano, braços abertos, receptivos, calorosos, enfim, tudo que o europeu de maneira geral vem buscar nesta terra tropical. A Copa é nossa porque temos o que mostrar e o compromisso de fazer pela cidade o que permanece para sempre. * VICENTE VUOLO é economista, ex-vereador de Cuiabá e funcionário do senado federal