NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 18 de Junho de 2026, 09h:35

MAX RUSSI

Orgulho Autista: respeito e inclusão

Acolher significa integrar a pessoa autista à família e à sociedade com amor, paciência e respeito

Neste 18 de junho, celebramos o Dia do Orgulho Autista, data criada pelo movimento Aspies for Freedom para valorizar a neurodiversidade e combater a ideia equivocada de que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma doença que precisa ser curada.

Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, entendo que esta data nos convida a uma reflexão profunda sobre a forma como tratamos as diferenças em nossa sociedade.

O autismo é uma variação natural do neurodesenvolvimento humano.

Pessoas autistas percebem e interagem com o mundo de maneiras únicas, e essa diversidade faz parte da riqueza da experiência humana, não de um desvio que precise ser corrigido.

Enxergar o TEA apenas pela perspectiva das limitações nos impede de reconhecer talentos, habilidades e sensibilidades que enriquecem escolas, ambientes de trabalho, famílias e toda a comunidade.

Tenho dedicado parte importante da minha atuação parlamentar à causa da inclusão.

Enxergar o TEA apenas pela perspectiva das limitações nos impede de reconhecer talentos, habilidades e sensibilidades que enriquecem escolas, ambientes de trabalho, famílias e toda a comunidade

Tive a honra de ver aprovado, pela Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei nº 750/2024, de minha autoria, que cria um sistema permanente de monitoramento e avaliação das políticas de inclusão na rede estadual de ensino.

A proposta determina que as escolas encaminhem relatórios semestrais detalhados sobre o acompanhamento pedagógico de alunos com deficiência ou necessidades especiais.

Essas informações servirão de base para a elaboração do Plano de Ensino Individualizado (PEI), fortalecendo o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes.

Um ponto que considero essencial é garantir que pais e responsáveis tenham acesso direto a essas informações, acompanhando de perto a evolução dos filhos. Inclusão não pode ser apenas um conceito previsto em lei.

Ela precisa ser uma prática permanente, acompanhada e aperfeiçoada continuamente.

Mas nenhuma política pública, por mais bem estruturada que seja, substitui o que considero a ferramenta mais poderosa diante do autismo: o acolhimento.

Acolher significa integrar a pessoa autista à família e à sociedade com amor, paciência e respeito às suas particularidades.

Significa garantir acesso a terapias adequadas, sem pressa, sem cobranças excessivas e sem julgamentos, respeitando o tempo de cada indivíduo.

Também significa construir escolas, espaços públicos e ambientes de trabalho que se adaptem às diferenças, em vez de exigir que a pessoa autista enfrente sozinha um mundo planejado apenas para a neurotipicidade.

O acolhimento verdadeiro não nasce da pena nem da tolerância distante. Ele nasce do reconhecimento de que cada pessoa autista possui uma forma própria, legítima e valiosa de existir no mundo.

Famílias que acolhem com informação e apoio profissional, escolas que adaptam metodologias e empresas que abrem espaço para talentos neurodivergentes contribuem, juntas, para a construção de uma sociedade mais justa, humana e inclusiva.

Neste Dia do Orgulho Autista, reafirmo meu compromisso com políticas públicas que tratem a inclusão como prioridade permanente, e não como um discurso ocasional.

Que possamos seguir avançando, em Mato Grosso, rumo a um Estado mais sensível, mais informado e, sobretudo, mais acolhedor com todas as formas de ser, aprender, conviver e existir.

MAX RUSSI é deputado estadual pelo Podemos e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.


Edição EDIÇÃO 16966




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL