ARTIGO
Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011, 20h:25
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NATACHA WOGEL
Copa, Pantanal e lixo
A cidade-sede da Copa do Pantanal, bioma de exuberância única no mundo, ao invés de se tornar um canteiro de obras com vistas aos eventos esportivos de 2013 e 2014, quiçá 2015, tem se mantido um verdadeiro lixão a céu aberto. O cenário de sujeira da cidade, assim como o odor repugnante que exala, não tem mais precedente, pode ser encontrado em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer período, inclusive quando a coleta é mal e porcamente feita. A imundice instalada na Capital parte de dois grandes problemas. O primeiro é a produção absurda de lixo que sua população de pouco mais de 550 mil habitantes é capaz de produzir. São cerca de 500 toneladas de lixo 500 mil quilos de lixo produzidas diariamente na cidade. Isso representa aproximadamente um quilo de lixo por dia dispensado por cada cidadão. Um disparate, que implica em educação. Mais grave ainda é o segundo fator: a comprovada incompetência do poder público municipal de gerenciar o problema. Há quase dois anos longe de afirmar que antes disso o serviço era feito com qualidade o município vem sofrendo a ingerência das empresas que operam e operavam a coleta de lixo na Capital. Antes, a Qualix, retirada a fórceps do serviço, alegava uma péssima malha viária da Capital para manter seus caminhões de coleta funcionando. Simplesmente, parou de coletar. Hoje, a recém-contratada a priore, emergencialmente, e agora por meio de licitação ganha há cerca de um mês a Delta já vinha deixando clara a impossibilidade de dar conta do serviço. Pois, quando o assumiu, em meados de 2010, a cidade continuou padecendo da incompetência na coleta dos resíduos sólidos. Agora, devidamente contratada, pela cifra anual superior a R$ 1,5 milhão, usa maquinário velho, incapaz de realizar a contento o serviço. E, mesmo quando o faz, consegue ainda sujar mais a cidade. O leitor já parou para observar a rua onde mora logo após a passagem do caminhão de lixo? É uma vergonha a forma como a coleta é feita. Sujeira, mesmo que não separada, mas ao menos ensacada pelo contribuinte, é simplesmente espalhada pelas ruas avacalhadamente pelos garis da empresa. Fétida é pouco para chamar Cuiabá logo após o desserviço da porca coleta de lixo. Enfim, para a ingerência dos serviços de saúde da Capital, o poder público se justifica com a explicação de que aqui são atendidos moradores de todo o Estado, dos vizinhos dele e, ainda, de países próximos. E para a precariedade da coleta de lixo, qual é a justificativa? Pois, acredito ser pouco provável que até moradores da vizinha Várzea Grande atravessem as pontes para vir jogar lixo em Cuiabá. A cidade-sede da Copa do Pantanal não merece esse título diante de tanta imundice. NATACHA WOGEL é editora de Cidades