ARTIGO
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009, 08h:56
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MARIANNA PERES
Coisas da vida
Já reparou que muitas vezes a vida, o destino e o cosmos são teimosos com a gente? Cismam em não nos conceder aquilo que queremos? Queremos o que não podemos e não damos valor (até perder) àquilo que está na palma das mãos. Isso vale para tudo na vida, desde sentimentos até uma simples bijouteria. Dizem que devemos amar tudo que temos. Esta é uma verdade absoluta, inquestionável. Mas, sempre pergunto, por que queremos aquilo, que pelo menos por hora, não nos está reservado? Por que cobiçamos coisas e pessoas alheias? É difícil entender que isso e mais aquilo pertencem à Cicrano e não a ti. Tudo tem seu tempo nesta vida. Há males que vêem para o bem, mas sempre que os rompantes, as decepções e os dissabores acontecem, nossa primeira atitude é entrar em pânico. Só passado algum tempo e o tempo é definitivamente o melhor dos remédios é que percebemos como o universo nos foi generoso ao mudar, lá atrás, a direção do caminho que a gente seguia. Existem mágoas que parecem nunca terem fim. De repente, a gente olha e não sente mais essa coisa ruim dentro de si. Às vezes acreditamos amar alguém que há muito se foi, e quando a vida proporciona um reencontro a gente vê que mais nada restou. Será que de fato existe amor eterno? A gente só ama uma vez na vida mesmo? E como lidar com o arrependimento? Aquele remorso por ter feito ou por não ter feito, por não ter ido, por não ter lutado. Ou a compunção por ter feito de tudo, por ter entregue, por ter jurado e visto que nada valeu à pena? Como equilibrar tantos sentimentos sem desequilibrar a mente? Todo dia, como nos dizem os mais velhos, é dia de agradecer. Esses dias recebi uma linda mensagem que dizia mais ou menos o seguinte: Que antes de eu me levantar, Deus havia criado esta bela manhã para você!. De fato esta é outra verdade inquestionável. Todo despertar deveria ser uma celebração, mas por um motivo ou outro, acordamos já aflitos por aquilo que ficou por resolver no dia anterior. Acordamos atrasados, preguiçosos, nervosos, irados e o pior, quando o levantar torna-se um suplício. Quem, pelo menos uma única vez na vida, ao abrir os olhos não se questionou: eu ainda estou vivo? Que droga! Nada é cem por cento. A gente vê uma pessoa que aparentemente tem tudo, é feliz, bem casada, bem-sucedida, bem-relacionada e bem quista por todos que a cercam. Pinta aquela inveja. Por que ela e não eu? Também vemos pessoas que são alto-astral 24 horas por dia. Uma visão mais atenta a esta pessoa, é possível identificar que ela não tem predicados que julgamos essenciais para justificar essa alegria toda. Essa pessoa é carente de tudo que um ser humano possa necessitar. Mas ela tem uma luz que não se apaga diante das dificuldades. Por pior que seja o dia-a-dia, por mais frustrações que a gente tenha, cada dia é um novo dia. Eu tenho me lamentado muito por uma série de acontecimentos recentes, mas estou aprendendo que o tempo é o maior aliado e que o que não pode ser hoje, poderá ser amanhã. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário