Tenho sido um defensor ferrenho da Copa do Mundo em Cuiabá. Já estou em contagem regressiva. Hoje, faltam 17 dias para a Fifa anunciar, em Zurique, na Suíça, os nomes das 12 cidades brasileiras que vão sediar o evento em 2014. Torço para ver Cuiabá na lista. Espero ver! Ao mesmo tempo em que fico na torcida, como muitos mato-grossenses, vivo a perguntar a meus botões se tanto esforço vai valer a pena com este Campeonato Mato-grossense que temos. Sinceramente, justo na véspera de podermos ser anunciados como sede de uma Copa do Mundo, somos obrigados a vivenciar uma competição que só está dando vergonha, que nos leva a indagar se esta competição é mesmo profissional. Qualquer competição promovida nos bairros da cidade é mais organizada. O Grêmio de Jaciara foi excluído do Estadual sob a alegação de que estava irregular por não ter pago as taxas da Federação Mato-grossense de Futebol e da CBF para a transferência de jogadores. Pelo que ouço pelas esquinas, outros clubes estão na mesma situação e não foram penalizados. Mais vergonhosa que a exclusão do Grêmio foram os acontecimentos que envolveram Operário e Mixto, os dois mais tradicionais clubes do Estado e, que, portanto, deveriam ser exemplo de organização, principalmente quando queremos a Copa em Cuiabá. Justos eles que foram protagonistas de acontecimentos vergonhosos e que podem repercutir negativamente para o nosso tão sonhado desejo de ter a Copa. O Operário está com salários dos jogadores atrasados e semana passada chegou a apresentar um pedido para adiamento de seu jogo contra o Crac. Tudo para que boa parte de seus atletas pudessem disputar o Peladão, campeonato promovido pela Prefeitura de Cuiabá. É que alguns clubes, que se dizem amadores, pagam os jogadores do Operário. Uma incrível e inaceitável inversão de valores. Por obrigação foi jogar, sem estes atletas que preferiram uns troquinhos do futebol amador. O Mixto, que está na Copa do Brasil e na Série C do futebol brasileiro foi ainda mais baixo que seu rival Operário. Sua diretoria não paga o hotel onde hospeda seus jogadores desde dezembro. Segundo a gerência do hotel, a dívida supera os R$ 10 mil. Os donos do hotel estão despejando os jogadores. Para completar recebo a informação que o clube está sendo acionado na Justiça Comum por não ter pago três meses de salários de 2008 para sete jogadores. Segundo a denúncia apresentada pelos advogados dos atletas o clube deve premiação pela permanência na Série C e até um prêmio que o Volta Redonda deu para que o clube não fosse goleado pelo Guaratinguetá. Com um campeonato como este, com dirigentes que brincam de fazer futebol, ainda sonhamos em ser sede da Copa... Será que vamos conseguir? Só mesmo acreditando em Deus. Tomara que ele seja cuiabano! JONAS JOZINO é jornalista em Cuiabá
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