ARTIGO
Sexta-feira, 07 de Maio de 2010, 20h:59
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MARIANNA PERES
Bope e a truculência - II
Como dizia ontem, o tal Bope apontado como Darijarbas que saltou da blazer cheio de coragem, virou cordeirinho depois que percebeu que toda a ação abusiva da polícia no último domingo em frente ao Choppão foi registrada por uma câmera de segurança instalada no cruzamento com a Estevão de Mendonça. Exijo que a Sejusp apresente as imagens e prove que as pessoas que estavam ali comemorando, como já disse no artigo de ontem, casais, famílias e crianças, foram vítimas de uma ação truculenta e totalmente injustificável. O policial que atirou era um meio gordinho, cara redonda meio parrudinho - e tão corajoso sob a farda do Bope como o colega que gosta de distribuir cacetadas. A revolta com a ação foi tamanha que vários torcedores usaram os celulares para filmar as agressões. Pelo menos dois torcedores filmaram de frente ângulo privilegiado quando uns cinco policiais participaram para cima de um torcedor. Diziam que ele tinha lançado latas de cerveja contra o carro ou o policial. Naquela altura não se entendia mais nada. O torcedor não agiu certo, mas a reação foi justamente uma resposta a truculência do Bope. Não encontrei esses vídeos na internet ainda. Peço que essas pessoas postem os vídeos e que o comandante responsável pelo Bope dê uma explicação, porque ali, naquele lugar, não havia bandido, maloqueiro, boca de fumo ou vagabundos. Havia pessoas trabalhadoras que comemoravam um título e que foram desrespeitadas pela autoridade que deveria resguardar a integridade de todos presentes. Aí vem a dúvida. Será que se fosse comemoração do Flamengo ou do Corinthians, times de massa, esses policiais teriam coragem de ir até lá? Claro que não. Gostaria muito que essa força e que esses homens com dupla farda PM e Bope tivessem coragem de realmente combater o crime e que a tal força fosse usada para defender o cidadão de bem e não agredi-lo. Essa é a polícia que treina para tratar multidões na Copa e que será a vitrine do que vem para 2014? Não temos favelas, mas temos bairros onde todo mundo sabe dos altos níveis de violência e do intenso tráfico de drogas. Cadê a coragem dos homens de farda dupla que sabem onde isso ocorre e nada fazem? Para um treinamento prático sugiro que aos sábados à noite se faça uma blitz na Avenida Getúlio Vargas passando o bafômetro nos motoristas. Mas isso é utopia, sabe por quê? Porque a maior parte dos motoristas flagrados com álcool serão filhos, netos, amigos, parentes de pessoas influentes. Como se vê, a coragem vai até um ponto e pára no seguinte. Eu como cidadã espero uma resposta desta ação, que por sorte, não trouxe nenhuma perda humana. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário