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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 16 de Março de 2010, 20h:57

MARIANNA PERES

Baderna

Domingo de sol. Um dia de diversão para muitos e de inferno para outros poucos que acessam a Avenida Walter Fontana, próximo à Sadia, em Várzea Grande. Moradores que residem na região há 30 anos são obrigados e conviver com uma baderna generalizada que se instalou por ali depois que um balneário se instalou por ali. Dias de sol, transformam o local numa passarela, com direito a desfile das beldades da Alameda e adjacências, que de biquínis, servem de cartão de visitas ao local. Daí o resultado é um só: sobram carros, motos e caminhões dos dois lados da esburacada rua, que de avenida tem só o nome. O trânsito é um inferno e há não outra opção mais econômica ou curta para quem quer acessar o Coxipó e região do 3 Américas. Neste último domingo, a situação chegou ao limite. Carros dos dois lados estacionados, carro querendo entrar no balneário, carro querendo sair do balneário e carros, como o meu, apenas passando por ali, em direção à garagem. No entanto, meu itinerário foi obstruído. No meio do caminho, de repente o tráfego parou. Ninguém ia, vinha, saia ou entrava. Um jovem cheio de ‘piriguetes’ e ‘peguetes’ no carro, que achou que eu queria entrar no inferno aquático, travou a passagem, tipo: ‘se eu não entro, você não entra’. Nesse achismo dele, logo uma fila de carros se formou. Para ser ter uma idéia do aperto na rua, nem as motos passavam. O jovem que podia dar uma ré – ele tinha espaço atrás para isso – não o fez, achando que gente lhe passaria a frente no acesso ao parco estacionamento do balneário. Eu, naquele calor das 15h, vendo que ninguém ia e nem vinha e carros um de frente pro outro parados e aquele bando de moto se juntando, tive um surto, pânico, medo, sei lá o que me acometia. Sai do carro e pedi, por favor, para o jovem dar uma rezinha. O incrível é que todos os carros que tentavam seguir, eram dirigidos por homens. Ninguém fez nada, certamente admiravam as beldades da Construmat (é, tem gosto pra tudo). Teve de ser uma mulher para levantar e tentar a saída ‘pacífica’ daquele literal inferno. O pior de tudo o que mais em indignou e me motivou a escrever este artigo, foi um fato ocorrido exatamente segundos do congestionamento ter início. O último carro a conseguir acesso ao balneário foi o de uma viatura do PM da base do Cristo Rei. Pedi para minha filha ir até os policiais solicitar organização do trânsito. Porém, para surpresa, quando minha filha os abordou, elas fizeram pouco caso da situação. Ela que puxou ao gênio da mãe, voltou revoltada com a atitude dos PM’s. Afinal, o que faziam dentro de uma área particular se nenhum tumulto se via lá dentro? Se estavam em ronda, por que não organizar o trânsito naquele momento? Certamente, também estavam curtindo a visão das beldades. Quando eu percebi que ia surtar sai do carro em direção à entrada do balneário para falar com os tais policiais. Sorte minha, que neste momento – após uns dez intermináveis minutos de agonia, eles perceberam que o tumulto estava fora e não dentro do local. Em menos de um minuto – cronometrado no relógio – a PM resolveu a questão. Fica aqui a minha indignação com a atuação desses dois PMs da base do Cristo Rei que estavam num carro Gol. Lamentável que nem para uma situação dessas, possamos contar com o pronto-atendimento, já que de dentro do balneário eles viam tudo. MARIANNA PERES é editora do caderno de Economia

Edição EDIÇÃO 16959




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