A remuneração dos professores no Brasil tem que fazer o país reconhecer que dificilmente vamos chegar às metas de 2021 sem enfrentar essa questão de maneira decisiva. Nenhum país de alto desempenho educacional paga aos seus professores um salário menor do que a média das outras profissões de nível superior. No Brasil, o salário do professor é 40% menor do qualquer outra profissão equivalente. Essa observação é do ministro da Educação Fernando Haddad, a segunda autoridade no país sobre o assunto ficando abaixo apenas do presidente da República. É uma análise corajosa, pois quem está no poder dificilmente enxerga a realidade. Mas o incompreensível é que, ao detectar o problema, ele não é sanado. É bem verdade que se trata de um problema de cinco séculos, mas que precisa ser resolvido em cinco anos. Pode parecer uma meta ambiciosa, mas se nossos governantes não atacarem o problema de frente, o problema engole o país. Uma visão apocalíptica? Nem tanto. A situação na educação é grave e fica mais escancarada quando mais da metade da população brasileira integra a classe média - tem mais dinheiro, é mais exigente, quer o melhor para seus filhos. E todos sabem que, sem uma educação eficiente, o ganho salarial despenca. O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) do ano passado, avaliado por uma entidade européia, após uma comparação entre todos os países que participam do sistema, chegou a conclusão de que somente os países que priorizam o salário conseguem os melhores resultados. Para os educadores brasileiros, não é novidade alguma. O que assombra o mundo é que as autoridades brasileiras mais falam do que fazem quando se trata de educação. Em qualquer setor, o melhor salário atrai os melhores e com isso, se obtém os melhores resultados. Não existe mágica alguma. Quando o salário é o menor, só enfrenta mesmo quem quer fazer bico ou tem esperança de um dia melhorar. Aos olhos do mundo é incompreensível como um país que gasta milhões e milhões de dólares não consegue sair desse atoleiro que cada dia afunda mais o ensino. O novo Plano Nacional de Educação para o próximo decênio vem aí. Lula adiantou que o professor será prioridade zero. Até aí, nenhuma novidade. O que todo mundo espera é cumprir a promessa. ADILSON ROSA é repórter