Ao defender ontem a prorrogação da CPMI do Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT) mencionou a necessidade de investigar contratos firmados entre o governo de Mato Grosso e uma empreiteira vinculada ao suposto esquema. Ainda temos que quebrar o sigilo bancário da empresa Rio Tocantins, que fez obras junto ao governo do Estado em Mato Grosso, e eu já pedi informações a esse respeito no Tribunal de Contas. Eu quero saber como se deu o pagamento dessas obras. Em 2011, segundo os registros do Fiplan (sistema estadual de pagamento, contabilidade e finanças), a construtora Rio Tocantins recebeu R$ 2.177.600 por obras em rodovias estaduais. Em matéria publicada em maio pela revista Época, a empresa foi descrita como parte de uma estratégia de Carlinhos Cachoeira para a expansão de seus negócios pelo Centro-oeste. A revista informou, ainda, que o governador Silval Barbosa (PMDB) se encontrou com Cachoeira em um jantar na casa do então senador Demóstenes Torres. Interceptações telefônicas publicadas em abril pelo Diário mostram o grupo de Cachoeira discutindo como marcar um encontro com o governador. Aquele caso lá do Mato Grosso... eu tinha esquecido de retomar. O rapaz... é... topa fazer o jantar na casa do advogado lá. O ex-procurador. Entendeu? O dia que o governador quiser, diz Demóstenes. Tá. Eu vou marcar lá, responde Cachoeira. À ocasião, em entrevista por telefone, o governador negou que tenha se encontrado com Cachoeira. Isso daí é pura especulação. Sobre a Rio Tocantins, Barbosa disse que o governo nunca tinha feito pagamento à empreiteira. As datas dos pagamentos estão registradas no Fiplan. A decisão sobre a prorrogação da CPMI será tomada em reunião de líderes partidários marcada para hoje.