Sobrinho e Júlio contestam versão sobre deportação
Cercado de revistas, recortes de jornais, livros e outros, o arquivo de Frederico Müller preserva detalhes da história do ex-senador. O sobrinho-neto alega que Filinto não foi o responsável pelo envio de Olga Benário, esposa de Luiz Carlos Prestes, para a morte nos campos de concentração da Alemanha nazista. O próprio Luiz Carlos Prestes responsabilizou apenas o ex-presidente Getúlio Vargas, afirma. A declaração foi dada durante uma entrevista em programa de televisão em 1989. O processo de deportação passava pelo presidente da República e pelo Supremo Tribunal Federal. Um chefe de Polícia não tinha o poder de deportar alguém, garante o sobrinho-neto. O ex-governador e ex-senador por Mato Grosso, Júlio Campos, é outro que defende a mesma tese. A deportação foi autorizada pelo ministro da Justiça e logo depois referendada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Vicente Rao. Júlio Campos lamenta que a lembrança de Filinto Müller seja muitas vezes remetida apenas à ditadura de Vargas. Filinto Müller chega a ser retratado como alguém que mandava prender, torturar e matar. Mas, na verdade, foi um grande político preocupado com os interesses de Mato Grosso e em honrar com o povo cuiabano. Suas metas foram cumpridas com grandeza. Embora seja classificado de direitista, Filinto Müller conviveu durante anos com o médico Humberto Néder (PCB). O comunista foi seu primeiro suplente no Senado por mais de 20 anos. (RC)