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Sexta-feira, 19 de Junho de 2026, 09h:42

COPA 2026

Técnico do Haiti valoriza chance de enfrentar Brasil na Copa: 'Muitos gostariam'

Sebastién Migné pede que jogadores desfrutem oportunidade e deixem povo da nação caribenha orgulhoso; Francês diz que vitória 'seria uma loucura' e sustenta que sua equipe luta pela classificação ao mata-mata do Mundial

MARCOS GUEDES e LUCIANO TRINDADE
Da Folhapress - Filadelfia

Minutos após a entrevista protocolar de véspera de jogo concedida pelo técnico do Brasil, Carlo Ancelotti, sentou-se na mesma cadeira Sebastién Migné, técnico do Haiti. Por diversas vezes em suas respostas sobre a partida de sexta (19), válida pela segunda rodada da Copa do Mundo, ele falou em "estar à altura" do desafio.

"Estar diante daquilo que há de melhor é mais do que gratificante, desde que eu esteja à altura da ocasião. Encontrei o Ancelotti em algumas ocasiões, ele sempre foi muito gentil, tratou-me muito bem. Tentarei ser respeitoso e um bom adversário", afirmou o francês, que aplicou o mesmo raciocínio a seus jogadores.


"Fazia 52 anos que o Haiti não estava na Copa do Mundo. Amanhã, temos uma oportunidade histórica de jogar contra o Brasil. Teremos de ficar à altura, é o que desejam os torcedores haitianos. Queremos deixá-los orgulhosos. Temos muita sorte. Muitos gostariam de estar neste lugar e não se classificaram", acrescentou.


Para Migné, porém, o papel da seleção caribenha não é meramente estar no Mundial. Ainda que a equipe nunca tenha conquistado um ponto na história da competição –está em sua segunda participação, após as três derrotas de 1974–, o treinador sustentou que tem como meta avançar ao mata-mata.

"Não fico muito interessado no que aconteceu anteriormente. Estou interessado no que vai acontecer agora", afirmou, valorizando o trabalho na estreia de 2026, uma derrota por 1 a 0 para a Escócia em jogo duro, com questionamentos à arbitragem. "Mostramos que nossa vaga nesta Copa do Mundo não foi usurpada. E teremos uma vitrine bonita para exibir o que fazemos."


Por causa da difícil realidade no Haiti, em caos social e dominado por gangues, Migné conduz a seleção do país sem nele pisar. Ele lamentou essa situação, que o obrigou a manter contato com parte dos atletas apenas por mensagens, e observou que as dificuldades do povo devem ser lembradas em campo.

 "Quando a gente se lança nesta profissão, como jogador, como técnico, é para viver este tipo de emoção, muito forte. O haitiano tem mais momentos difíceis do que fáceis, e o futebol nos oferece a oportunidade de viver grandes emoções. Que não tenhamos arrependimentos e que a população tenha orgulho", declarou, antes de permitir a si mesmo um sonho: "Uma vitória seria loucura total".

 


Edição EDIÇÃO 16967




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