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Sexta-feira, 08 de Novembro de 2013, 21h:11
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PERÍCIA
Recurso contra cobrança aguarda decisão
Acusados questionam fato de ter que arcar com as custas de vistoria em equipamentos superfaturados que resultaram no escândalo do maquinário
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
Apesar de a vistoria requerida pela Justiça Federal nos 705 equipamentos que deram origem ao Escândalo dos Maquinários já ter sido concluída, o Judiciário ainda não apreciou o recurso interposto pela defesa do ex-secretário estadual de Transporte e Pavimentação Urbana, Vilceu Marchetti, contra o pedido de perícia. Segundo o advogado Ulisses Rabaneda, o processo está parado há oito meses. A intenção dele é impedir que os trabalhos de vistoria sejam custeados pelo seu cliente e demais réus do caso. Por incrível que pareça, nosso recurso não foi julgado ainda. Está parado há oito meses sem qualquer provimento. Caso ele venha a ser julgado e acatado, após a conclusão desta vistoria, eles vão ter que devolver o dinheiro para o meu cliente, pontua. Segundo Rabaneda, até o momento, foram sequestrados R$ 6 mil da conta de Marchetti para bancar a análise. O valor total pelo serviço, todavia, pode ultrapassar R$ 100 mil, já que foi dividido entre os demais envolvidos. Outros acusados também entraram com o mesmo recurso, conforme o advogado. Além de questionar o custeio da perícia, Rabaneda argumentou à época em que ingressou com o pedido que a apuração não deve surtir o efeito esperado: identificar se os equipamentos comprados condizem com o edital de licitação que estimou o preço em R$ 241 milhões. Para ele, como as máquinas já estão sendo utilizadas por prefeituras há três anos é impossível detectar se os valores pagos por elas condizem ou não com seu custo real. Muitos reparos já foram feitos. Peças foram trocadas. Eu entendo que é uma perícia desnecessária. A análise, iniciada em janeiro deste ano, foi concluída no mês passado. O relatório final, assinado por Aloísio Bianchini, foi entregue poucos dias após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizar a retomada da tramitação das ações sobre o caso que correm na Justiça Federal e Estadual. Os processos três ao todo estavam suspensos desde abril, quando a defesa da Cotril Máquinas e Equipamentos (uma das envolvidas) alegou a existência de conflito de competência entre as duas esferas do Judiciário. No início de outubro, contudo, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho rejeitou a alegação. Conforme o juiz federal Julier Sebastião da Silva, responsável pelo caso, o levantamento dos peritos ainda pode resultar em novos processos judiciais, desta vez contra prefeitos ou outros agentes públicos que eventualmente estiverem desviando as máquinas para trabalhos em áreas particulares. SUPERFATURAMENTO - Conforme levantamento realizado pela Auditoria Geral do Estado (AGE), os equipamentos adquiridos em 2010, por meio do programa MT 100% Equipado, foram superfaturados em aproximadamente R$ 44 milhões. O recurso, oriundo do governo federal, teria sido desviado numa negociação entre membros do governo do Estado e de 10 empresas que comercializaram o maquinário.