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Sábado, 31 de Julho de 2010, 13h:50
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ENTREVISTA
Promessas para a Saúde são parecidas
Os candidatos Silval Barbosa (PMDB) e Wilson Santos se defendem sobre a atuação no setor da saúde e Mauro Mendes (PSB) só contra-ataca
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A saúde pública de Mato Grosso promete estar no centro do debate dos candidatos ao governo na eleição 2010. Nesta entrevista ao Diário você já pode acompanhar o que os três principais candidatos planejam para melhorar o setor no Estado. Pelo menos uma coisa os três candidatos - o governador Silval Barbosa (PMDB), o ex-prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB) e o empresário Mauro Mendes (PSB) têm em comum. Os três afirmam que saúde será prioridade. Na verdade, apesar do clima acirrado, as propostas do trio são parecidas. Eles querem mais investimento na saúde preventiva (a mais barata) e construção de novos hospitais, na capital e no interior. Mas não é por mero acaso que a saúde pública alça o posto de vedete da eleição. No último ano, problemas ligados ao setor foram destaque no noticiário mato-grossense, tanto na capital quanto no interior. E no meio das propostas, acusações. Wilson reclama da falta de um hospital do governo na Baixada Cuiabana, isso estaria superlotando o difamado pronto-socorro municipal. Já Silval afirma que o governo faz altos repasses para a prefeitura e ainda cede servidores, atribuindo má-gestão ao tucano. Mauro Mendes não fica de fora do fogo cruzado, também atira para todos os lados e tece críticas sobre a gestão da saúde da capital e também do governo estadual. Diário de Cuiabá - Qual o seu projeto para sanar o problema da saúde pública no Estado? Silval Barbosa - Saúde no Estado sempre foi uma prioridade nossa. Tivemos concurso na área de Saúde com mais de dois mil servidores chamados; a estruturação dos nossos hospitais regionais; aumentamos em mais de 250 leitos de UTIs, e assim por diante. Mas a prioridade minha para a saúde será não ficar preso no teto constitucional de obrigação de aplicar 12% dos recursos. Quero investir mais do que o previsto constitucionalmente. Construímos o Hospital Metropolitano, arrumamos o recurso para equipamentos e vamos abri-lo. Mas não é tudo: nós sabemos que esse hospital não atende toda a demanda da Baixada Cuiabana. Por isso pedimos a construção do Hospital Universitário, de R$ 130 milhões. Em 2012 queremos estar com ele pronto e funcionando. Já conseguimos com que o presidente Lula liberasse a primeira parte desse dinheiro, R$ 11 milhões. O Estado também já tem R$ 80 milhões no orçamento garantido para a construção desse hospital. E também queremos continuar investindo nos hospitais que são parceiros do Estado, nos consórcios de Saúde. Como, por exemplo, convênio com o Hospital de Câncer. O governo vai construir a segunda ala do Hospital do Câncer, uma obra de R$ 1,4 milhão. Em Cuiabá nós ajudamos o município. Passamos uma média de R$ 45 milhões por ano. Temos 188 servidores, sendo 68 médicos do Estado à disposição do município. Queremos fortalecer também o trabalho na saúde preventiva, que é a mais barata. Temos convênio em 561 PSFs, os médicos da família. São 5.610 profissionais nesses PSFs trabalhando em todo o Estado, que tem convênio com todas as prefeituras para ajudar na manutenção. Wilson Santos - A saúde em Mato Grosso vai mal. A melhor saúde do Estado está em Cuiabá, mas carece de melhorias. A primeira ação é investir, até 2014, 15% das receitas correntes líquidas na Saúde. Coisa que o Estado não faz hoje nem com os 12%. Segundo auditoria do Ministério da Saúde, Mato Grosso deixa de investir R$ 55 milhões por ano em Saúde, descumprindo a Emenda Constitucional 29. A outra ação nossa, na linha do fortalecimento do SUS, será a construção de seis novos hospitais regionais, sendo um na Capital e cinco no interior. A outra ação será a reforma e a revitalização dos atuais hospitais regionais. A outra ação é expandir ao máximo a saúde da família, que é a saúde preventiva, mais barata e mais correta. Outro programa é o investimento pesado em capacitação e qualificação de todos os profissionais da Saúde através da Escola de Saúde do Estado. Outra proposta é apoiar o governo federal na nacionalização do cartão SUS. Também fortalecer e expandir as ações do centro de reabilitação Dom Aquino. Mauro Mendes - Saúde pública é o maior problema e o maior desafio da próxima gestão. E esse desafio só será vencido se nós conseguirmos priorizar esse setor em Mato Grosso. Administrar é acima de tudo saber estabelecer prioridades. Criamos um programa que vamos detalhá-lo ao longo da campanha que vai se chamar Saúde em Primeiro Lugar. Vamos fazer a gestão dos recursos alocados e fazer com que cada centavo seja corretamente aplicado e seja traduzido em melhoria dos resultados. Hoje a saúde pública em Mato Grosso precisa ter mais leitos construídos, e no meu plano de governo prevemos a criação de mil novos leitos nos próximos quatro anos. Planejamos que o governo do Estado apoie as prefeituras em 200 novos programas de Saúde da Família, porque a prevenção ainda é o melhor caminho e o mais barato. Vamos criar também algumas ações na prevenção. Falar de saúde não é só pensar em doença. Temos que construir também a saúde preventiva, investir em saneamento básico, coleta de lixo... Tudo isso é uma forma preventiva para que muitos indicadores da saúde possam ser melhorados. Matar o mosquito da dengue é muito mais barato, e melhor para o cidadão, do que ter milhares de pessoas internadas por causa do não combate eficiente dessa epidemia. Então, vamos atuar no resultado final, que é cuidar da doença e daqueles que precisam do atendimento médico, mas vamos também atuar na linha da prevenção. E para tudo isso nós precisaremos do servidor da saúde, vamos valorizar essas pessoas e cobrar delas que prestem um serviço à altura daquilo de que a sociedade precisa e deseja. Diário - A que motivos o senhor atribui a situação do setor da saúde hoje de Mato Grosso? Silval - O Estado tem uma extensão territorial enorme. Perdemos parte da CPMF que vinha para a saúde, o Brasil deixou de arrecadar R$ 40 bilhões, dinheiro que formaria uma boa estrutura, e com isso o Estado também teve suas perdas. Mas não é só isso: saúde é um problema sério e vamos enfrentar muito de perto essa situação, vamos fazer um trabalho para chegar numa situação satisfatória para a população. Wilson - Não ter sido escolhida como prioridade pelo atual governo, que optou por outras áreas. A saúde, a educação e a segurança pública foram deixadas de lado e não mereceram tratamento prioritário. Mauro - Eu tenho visto que a saúde não tem recebido deste governo atenção e a dedicação que o setor merece e de que a população necessita. Temos que priorizar ações, recursos e investimentos. Mas nos últimos anos isso não foi feito. A falta de prioridade é, sim, o grande motivo do caos que temos hoje na saúde de Mato Grosso. Diário - Por que o pronto-socorro de Cuiabá vive lotado? O pronto-socorro tem solução? Silval - Na medida que vamos aumentando nossas estruturas de saúde, vamos aliviando o pronto-socorro. A forma como é gerenciada a saúde publica hoje é tripartite, em três partes, e no caso o município gerencia. Mas a maioria dos municípios ajuda a custear os pacientes que vêm do interior. São recursos passados fundo a fundo. Mas vamos aliviar o pronto-socorro quando construirmos o Hospital Universitário e abrir o Metropolitano. Mas nem por isso deixaremos de ajudar o pronto-socorro. Já repassamos recurso de R$ 45 milhões, cedemos médicos... A tão falada reforma foi conseguida através do ministro da saúde. O [José Gomes] Temporão é do nosso partido, o PMDB. Mas essa reforma demorou demais. O dinheiro ficou mais de quatro anos disponível para reforma, mas o prefeito sempre teve dificuldade de executar recursos do governo federal, a exemplo do PAC. E isso também faz parte da saúde, porque é saneamento. Blairo e eu fomos até lá e pedimos prioridade do PAC para Mato Grosso junto ao Lula. Arrumamos dinheiro também para a avenida das Torres, mas foram mais de dois anos. O ex-prefeito teve muita dificuldade em trabalhar com licitação. Não sei se o problema é com a equipe dele. Wilson - Na verdade deveríamos ter um pronto-socorro estadual para cuidar dos irmãos mato-grossenses do interior. E teremos no meu governo. Farei dentro de vários hospitais regionais prontos-socorros regionais. Um aqui, o Hospital Regional da Baixada Cuiabana, terá um pronto-socorro estadual, regionalizado para a Baixada. Faremos também pronto-socorro na região sul, norte, no Araguaia. Não é papel de um pronto-socorro municipal cuidar da saúde do Estado, isso é um equivoco, é um conceito completamente errado. O que acontece é que Cuiabá faz o que pode, o possível e o impossível, porque o Estado não cumpre seu dever no interior. O primeiro passo é melhorar a saúde no interior, porque os irmãos do interior merecem um tratamento digno, próximo da sua casa, no seu município. Investindo em pronto-socorro, Hospital Regional, o Programa Saúde da Família. Melhorando a saúde no interior, ela vai melhorar na capital. Mauro - A gestão da saúde pública em Cuiabá, em minha opinião, foi feita de uma forma ineficiente pela prefeitura e seus gestores. Gastaram-se milhões numa reforma que mais parece uma maquiagem. Eu não teria feito esse investimento, eu teria exigido do governo do Estado uma parceria para construir um novo hospital regional para atender à Baixada Cuiabana e atender milhares de pessoas que são conduzidas para a capital, pois só aqui se encontram algumas especialidades médicas não-existentes no interior. Diário - Uma das principais demandas dos prontos-socorros são vítimas de acidentes de trânsito, especialmente motociclistas. A implantação de radares eletrônicos não ajudaria a diminuir esses acidentes e assim reduzir as internações por trauma? Silval - Até 2014 vamos transformar toda estrutura do trânsito em Cuiabá e Várzea Grande. Vamos investir mais de R$ 2 bilhões em viadutos, passagens subterrâneas e infraestrutra para melhorar nosso trânsito. A cidade estará melhor sinalizada e vamos trabalhar com educação no trânsito para diminuir os índices de acidentes. Wilson - Principalmente a educação para o trânsito, conscientização, mais rigor na expedição de carteiras de habilitação pelo Detran, um conjunto de ações - passando principalmente pela conscientização - é que vai reduzir o número de acidentes. O trabalho conjunto do pronto-socorro de Cuiabá com o Samu reduziu em 14% as mortes no trânsito em Cuiabá. Porque eles foram imobilizados corretamente, transportados corretamente, tratados com preferência no pronto-socorro. Não tenho nenhuma dúvida de que toda forma de ação que leve à conscientização através da educação vai reduzir o número de acidentes. Mauro - Se o radar é o melhor ou não, temos que discutir isso com a sociedade. Mas eu acredito, sim, que temos que mudar a triste estatística que temos com acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motos, e aí, se tivermos que tomar medidas duras, no futuro tomaremos. Diário - Temos visto muitos casos de pacientes que precisam de remédios de alto custo e não conseguem obter esses medicamentos no Estado, precisando da intervenção judicial. E aqui estamos falando de medicamento que a população em geral não tem condições de comprar. Como resolver esse problema e fazer com que os pacientes recebam o que devem receber? Silval - Esse é um problema sério e que nós não fugimos dele. A maioria desses remédios caros é importada, tem uma legislação diferente pra isso. Mas só nessa área de alto custo investimos mais de R$ 30 milhões. E registre esse número, 22 mil pessoas são atendidas com remédios pela Secretaria de Saúde. Então, a secretaria não está omissa. Realmente temos alguns problemas, mas não estamos parados. Wilson - É o gestor ter o conceito de que não existe remédio caro e que a vida não tem preço. A minha ordem no pronto-socorro de Cuiabá sempre foi atender todos, brasileiros e estrangeiros que cheguem. Todos são recebidos e tratados com respeito. Nunca houve denúncia de que nosso pronto-socorro rejeitou qualquer paciente. Primeiro, a vida; salvamos a vida. Depois, vamos discutir quem paga a conta. Mauro - Problemas complicados só se resolvem com soluções arrojadas e competentes. O número de liminares que obriga o Estado a prestar esse serviço é extremamente elevado, o que reflete o caos da saúde e a forma ineficiente como a gestão tem atuado nos últimos anos. Nós precisaremos de ações que melhorem o setor de planejamento, de execução orçamentária, do setor de compra. E, além disso, despolitizar a Secretaria de Saúde, tirar da mão de políticos inúmeros cargos que são indicados por eles. Isso compromete a qualidade e honestidade dos serviços prestados por alguns desses profissionais indicados por cargos políticos.