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Primeira Página
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007, 20h:54

OPERAÇÃO NAVALHA

Prefeito de Sinop é preso pela PF

Acusado de participar de um esquema de desvio de recursos públicos, Nilson Leitão foi preso ontem pela manhã na sua casa em Sinop

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB), foi preso ontem na Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em nove Estados e no Distrito Federal. Ele é acusado de participar de um esquema de desvio de recursos públicos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade dos bens de Leitão e demais membros da fraude. Empresa considerada o quartel das fraudes, a Gautama, de Salvador (BA), integra o Consórcio Xingu, que venceu uma licitação de R$ 40 milhões para uma grande obra de saneamento em Sinop. As obras, que deveriam começar ainda este ano, cobririam 40% da cidade com rede de esgoto. Segundo o site do jornalista Ricardo Noblat, Leitão teria recebido 200 mil da empreiteira. O esquema, conforme a Polícia Federal, atingia pelo menos três ministérios, além de autarquias federais e órgãos estaduais. Também foi preso ontem, no Maranhão, o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Sinop, Jair Pecini. Foram expedidos ao todo mais de 40 mandados de prisão e 84 mandados de busca e apreensão. De acordo com informações da Polícia Federal (PF), foram apreendidos documentos na prefeitura, na casa e numa fazenda de Nilson Leitão em Sinop. Dois malotes foram encaminhados por agentes da polícia que conduziam Leitão no vôo rumo a Brasília, onde o prefeito prestará depoimento hoje. Além de Mato Grosso, foram cumpridos mandados prisão e de busca e apreensão em Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, São Paulo, Sergipe, Pernambuco e Piauí. O rol de acusados inclui políticos, funcionários públicos e representantes da empresa Gautama, com sede em Salvador (BA), que intermediava a atuação da quadrilha, conforme as denúncias. Os mandados foram expedidos pela ministra do STJ, Eliana Calmon. Ainda não se sabe a dimensão real do rombo causado aos cofres públicos. Informações extra-oficiais que circulavam na imprensa nacional ontem indicavam o prejuízo de pelo menos R$ 31 milhões nos últimos anos. O processo corre em segredo de Justiça. As investigações começaram em novembro do ano passado. De acordo com as informações oficiais divulgadas pela PF ontem, os articuladores do esquema estavam infiltrados em prefeituras, nos governos estaduais e no governo federal. A prática criminosa se baseava no desvio de dinheiro destinado a obras públicas, via licitações fraudulentas, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. As licitações incluíam projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Luz Para Todos. O panorama das investigações aponta como principais fontes de recursos usurpadas na fraude os ministérios de Minas e Energia, Integração Nacional, Cidades e do Planejamento. O Departamento Nacional de Infra-estrutura dos Transportes (Dnit) também era outro alvo da quadrilha. O esquema ainda era articulado nos Estados de Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão e também no Distrito Federal. Na esfera municipal, as prefeituras identificadas até agora são Sinop e Camaçari. O delegado da Polícia Federal de Mato Grosso José Maria Fonseca se restringiu a informar ontem que não tinha detalhes das investigações sobre o caso. “Temos apenas as informações de que se trata de um esquema de desvio de dinheiro público”, afirma, sem detalhar a atuação de Nilson Leitão dentro do ‘modus operandi’ do esquema. Leitão foi preso pela manhã e chegou a Cuiabá por volta das 15h. Ele embarcou rumo à Brasília no vôo 3898 da TAM. A aeronave decolou em Várzea Grande às 17h40. Leitão foi o primeiro a entrar no avião, conduzido por quatro agentes da Polícia Federal. Ao evitar as lentes de fotógrafos e cinegrafistas, o prefeito andou pelo pátio do aeroporto usando o paletó sobre o braço para esconder as algemas. A reportagem tentou entrar em contato com o Departamento da Polícia Federal em Brasília para obter o balanço da operação até a noite ontem, mas ninguém atendeu às ligações.

Edição EDIÇÃO 16959




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